terça-feira, maio 25

Recordações de agora mesmo


Foi há bocado. Por razões profissionais e, principalmente, por razões maritais, lá vesti o smoking uma vez mais, e fui ver a coisa em directo ao Coliseu. Isto de que falo, meus caros, está cada vez mais acanhado. Isto de que falo é Portugal, capital, classe ainda social, o que for. E nem por sombras me afasto do estilo que nos propõem, ou seja, não critico a forma, mas apenas o conteúdo da forma. A qual resulta, hoje por hoje, em menos vedetas e mais verdetes, menos pinta e mais tinta, menos brilharetes e mais joanetes.

Passando ao de leve pelos prémios, que é que o que menos me interessa, aqui vai: a coisa, tal como está, já deu o que tinha e o que não tinha. O Dr.Balsemão, que quer ficar na história, tem uma maneira ponderosa de apôr pontos a esse anseio, mediaticamente falando: venda aquilo a uma entidade independente - fica imorredoiro, como o gajo que teve a ideia, e desenlaça-se dela olimpicamente. Só lhe ficava bem. É que os 'Globos de Ouro' (que começou por ser apenas os prémios internos da SIC, há muitos anos), já não é só um programa da casa, mas ainda está longe (eu diria, cada vez mais longe, apesar do esforço), de ser um areópago nacional. Basta ver que, por razões conhecidas, a maior parte das vedetas da TVI nem sequer lá vai. A excepção, este ano, chamava-se Diogo Infante.

Da pinderiquice geral dos textos - a função começava com uma coisa de mau gosto e mal conseguida (são coisas diferentes, que neste caso se aduziram), relativas ao casamento dos príncipes-do-
-passado-fim-de-semana -, passou-se à relativa falta de ritmo do programa. Salvou-se a estrela do momento (Sílvia Alberto), que ainda tem muito que aprender, assim ela queira. O que eu duvido.

Mas o pior estava para vir, e isto é que a excelentíssima assistência nacional não viu; e, daí, o meu grande dever em dar-lhes disto conhecimento. É da feira das vaidades que vos falo, eu que já vi tantas, não me cabendo aqui, como atrás disse, criticar-lhe a forma, mas apenas o conteúdo da mesma.
Em primeiro lugar, o lugar da festa (tradicional e subsequente aos prémios, para quem não saiba). Calhou este ano à 'Kapital', a esteira mais estúpida onde se desbragam os pitos em ferida de Lisboa e arredores. A 'Kapital' passou à história no dia em que abriu, mas a maior parte dos palhaços de dentes brancos e as louras de fio dental nunca se aperceberam disso. Ao pé deste antro de pobreza musical, cheiro a penico e wisky marado, o Stones de outros tempos e, principalmente, o clube do Trigo à beira-mar plantado, são oásis de oxigénio e bom-senso cosmopolita. Eu vou, nesta última década, à 'Kapital' uma vez em cada (mais ou menos) três anos; para concluir que está igual à merda que sempre foi.

Lá dentro, a tradição não se impõe. Por exemplo, já não há a tentativa de comer as miúdas que ainda ninguém comeu, as difíceis, não sei se me entendem. Agora são sempre as mesmas a abrir as gâmbias em forma de sextante. As outras passeiam vestidos e adormecem vestidas. É a ideossincrasia do facilitimso em todo o seu esplendor. Se estes adolescentes não esgravatam por garotas, não me parece que estejam à altura de, posteriormente, se esmifrarem por empresas.
Pior que tudo, é ver os filhos do Santana Lopes do lado errado do balcão do primeiro andar. O pai, honra lhe seja feita, ficava sempre do lado do disk-jockey, onde o barulho é menor e dá para dar trela às gajas. Os filhos, agora, colocam-se à entrada da cagadeira. Os genes, meu amigo, os genes...

Há outra coisa aviltante. Dantes, havia as muito boas, as boas, as mais-ou-menos e as do Técnico. A igualitarização faz com que agora sejam todas 'mais-ou-menos'. Não se vê uma mulher feia, é terrível. Mas também não se vê nada do outro mundo. São todas assim por igual, com celulite nas coxas a partir dos 17 anos (ainda hei-de agradecer ao Dr.Salazar ter proibido a Coca-Cola), mamas 34-B, cabelo pintado, vestidos carotes e falta de jeito para saltos altos. A diferença morreu. Putas calibre 'apartamento na Lapa' já se confundem com pitas 'queca no banco de trás'.

Bons tempos em que eu vi a Teresa G. a espreitar à fechadura da casa-de-banho dos homens, a ver quem tinha predicado bastante para se lhe ajustar directamente ao complemento. Bons tempos em que a Manuela M. se vinha ao balcão, com a mão debaixo da saia, para pagar apostas perdidas. Bons tempos em que a Bárbara G. ensaiava um strip-tease, com a malta teen-ager já quase a sujar as calças. Bons tempos em que a Margarida M. dançava a noite toda em cima do sofá, que teve de ser reciclado, devido à falta de saladas na dieta da sujeita. Bons tempos em que o Francisco B. metia um relógio Gucci no decote da Maria J., como paga ou devoção sabe-se lá por que grande graça que ela lhe tinha concedido.
Bons tempos...

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