sábado, maio 22

Clark59 entrevista BOS

Cá vai a entrevista, como prometido. Para o bem e para o mal, as 'escorreitas opiniões' do entrevistado (como dizia o seu amigo Rodrigo Emílio) ficam aqui bem escarrapachadas. Proposta musical: leitores de direita leiam-na tendo por fundo o 'Tannhauser' de Wagner; leitores de esquerda, o 'Requiem' de Mozart. São ambas óptimas.
A 'negro' as perguntas, como é da praxe.


- O maior erro de Salazar foi o condicionamento industrial?
Eu já sabia que o raio da conversa ia começar com o Salazar… É um dos tiques dos plumitivos modernos. Se entrevistam um nacionalista, a primeira pergunta versa invariavelmente sobre o Estado Novo: você é salazarista? Defende o Portugal do Minho a Timor? Quer pôr bombas? Vai matar pretos? Por isso, o que eu te vou dizer desiludirá profundamente a maior parte dos flibusteiros da informação, mas é a pura verdade: os nacionalistas estão-se a marimbar para Salazar e o Estado Novo, que de um modo geral repudiam. Os salazaristas, se os houve, dormem a sono solto no Alto de S. João e nos Prazeres...
Em relação à política de condicionamento, devo dizer-te que é uma velha pecha da governação à portuguesa: quando só existia lavoura, houve condicionamento agrário (e hoje ainda há, com as cotas...); depois houve condicionamento industrial; actualmente, com a revolução da distribuição, há condicionamento comercial: o governo licencia as chamadas grandes superfícies ao metro quadrado... Já não é preciso condicionamento industrial para nada: conheces algum pateta que queira abrir uma indústria?! Como diria o nosso amigo Buiça: fosga-se!

- Ainda bem que o António de Oliveira é história. Outra coisa: Nós nunca fomos um país de gente instruída... Verdade ou falso?
Somos um país de madraços e mendigos, como dizia o Vitorino Magalhães Godinho. Em vez de gente sábia, temos gente sabida. Por entre a elite, de quando em quando, avulta um tipo superior, mas o povinho – lavrador de enxada e tanoeiro de enxó – tem sido convenientemente mantido na boçalidade (eu ia dizer: na buiçalidade...) Eleitor burro vale por dois: vota e não reclama. Há dois modos de o fazer: ou por falta de informação, ou por excesso dela. Ambos têm resultados comprovados e garantia de oito anos, que é mais ou menos o tempo que o marmanjo aguenta à frente do governo, antes de ficar atolado em merda e corrupção.

- Há maneira de mudar isso?
É trabalho para cinquenta anos. É por isso que os tipos que nos governam não podem fazer nada: são avaliados em cada quadriénio… A educação é uma vergonha. É suposto que um miúdo com a 4.ª classe saiba ler, escrever e contar. É suposto…

- Porque é que temos grandes escritores, grandes pintores e não temos grandes músicos?
Tu sabes que eu não sou grande melómano. E tenho pena, acredita. O Marcos Portugal não foi um grande compositor?

- Razoável, digo eu. E o Carlos Paredes, o José Afonso, o Adriano Correia de Oliveira?...
O Carlos Paredes é um dos milagres da música portuguesa. O raio do comuna exala Portugal por todos os poros… Não gosto de José Afonso: as músicas são más, as letras são piores, a interpretação uma lástima… O Adriano, esse, sempre o considerei o menos mau dos cantores de intervenção.

- O que é que aconteceu à direita nacional para se tornar elegível: foi o efeito Le Pen?
Os nacionalistas elegem e são eleitos por essa Europa toda a cabo. Dispõem de representação parlamentar em França, Itália, Bélgica, Holanda, Suíça, Áustria – o que seria inimaginável há 10 ou 15 anos... O Le Pen desenvolveu desde os anos 70 um trabalho importantíssimo mas, hoje em dia, também beneficia desta vaga. Os nacionalistas apresentam hoje, a despeito de uma imprensa esquerdista que os insulta do piorio, um programa sério e equilibrado que será, mais tarde ou mais cedo, adoptado pela maioria dos países, sob pena de cada nação não subsistir sequer como noção.

- São só os esquerdistas? Eu julgava que quem vos odiava mais era a direita mais institucionalizada...
Essa também, mas a comunicação social está por conta da esquerda. Sofre de hemiplegia.

- Havia alguma hipótese de sair das colónias com boa-cara? Ou nunca devíamos ter saído? Como é que fazíamos?
Das colónias de férias...?

- Boa! Mas é mesmo de Angola, Moçambique e dos outros que eu estou a falar. O que seria para ti a ‘descolonização exemplar’, por exemplo?
Era impossível uma ‘descolonização exemplar’ num quadro de guerra. Chamar o processo descolonizador de ‘exemplar’ é abuso semântico... O que se fez foi entregar os territórios aos interessas das grandes potências: os Estados Unidos, ávidos das matérias-primas; a União Soviética, que queria implantar repúblicas socialistas; e o Vaticano, pois então, interessado em reaver os direitos de Padroado que havia concedido a Portugal em África e no Oriente. Reduziu-se Portugal a uma situação de Estado-exíguo, como afirmou o Prof. Adriano Moreira. Digo-te isto sem saudosismos… Aliás, nem sequer tenho idade para isso. Eu continuo a achar que a perda do Brasil constituiu na sua época um trauma muito maior. Se calhar estou enganado. Mas que fique claro, e podes escrever, que se tivesse 20 anos nos anos 60 teria combatido em África com todo o orgulho.

- Qual é o maior defeito da esquerda? (fora 'existir', claro está...)
A esquerda tenta servir-nos um ‘vademecum’ ressesso e bolorento. Os esquerdistas mais evoluídos são os que pararam em Woodstock: sonham com a Janis Joplin todas as noites (sobretudo os do Bloco, não sei se estás a ver: “Oh Lord, won’t you buy me a Mercedes Benz? My friends all drive Porsches...”); os outros são ainda mais atrasados... Tentam vender-nos o aborto livre, a liberalização das drogas e balelas análogas com a mesma convicção com que há trinta anos nos impingiam as nacionalizações selvagens e o socialismo soviético.
A esquerda lê por uma cartilha velha de duzentos anos. Acredita que o homem é naturalmente bom, é internacionalista, quer impor uma igualdade absurda. Não me refiro à igualdade perante a lei ou à igualdade de oportunidades, que ninguém discute, mas sim ao dogma da igualdade de capacidades inatas entre os homens, sem o qual a esquerda não sobrevive e todo o seu pensamento se desmorona como um castelo de cartas.
E depois é toda esta estética da fealdade, imposta pela ditadura cultural de esquerda, a deturpação dos valores, o ódio ao sagrado...

- Mas talvez te seja mais fácil acreditar numa esquerda de valores, não egoísta, que acredita que os homens, por não terem todos as mesmas oportunidades, devem ter um ‘escape’ de apoio...
Eu não consigo acreditar em nenhuma esquerda…

- Mudando de tema: a Idade Média foi mesmo a idade das trevas?
Para a ‘intelligentsia’ que por aí pulula, foi. Mas diz-me: achas que a catedral de Burgos e a Notre-Dame são filhas das trevas?

- Como é que um homem de direita entende a evolução? Transformação, revolução, perenidade?
Eu não sou conservador. Não tenho medo da transformação, nem de revoluções. O que eu repudio é o progressismo esquerdista que pretende derrubar todas as bases em que assenta a nossa civilização: acabar com as nações e destruir o próprio conceito de família. Não se trata de transformar nem de evoluir, mas de destruir tudo para se erguer de raiz um mundo e um homem novos. É a velha receita do Trotsky.

- Isso é uma velha farsa de direita: destruir a família! Não inventas nada de melhor para convencer os incautos?
Não é farsa nenhuma! Imagina um casalinho de homossexuais com três crianças em casa; é ou não a destruição da família tradicional?

- Mudemos de assunto: houve mulheres rainhas. Pode haver uma mulher presidente da República?
Se até o Jorge Sampaio desempenha as republicanas funções, não vejo por que uma mulher não o possa fazer... Aliás, este regime ostenta no currículo os três ou quatro piores chefes de Estado da nossa História.

-Incluindo o D. Pedro I (um rapaz que não tinha a noção de Estado), o D. João III (para mim o pior chefe de Estado português de sempre) e o D. Miguel (um caceteiro da pior espécie, que se tivesse sido rei mais tempo seria a prova provada de que não merecemos ser Nação)?
Pronto! Já cá faltava o D. Miguel… Como dizia o Prof. João Ameal, ninguém merece tanto como D. Miguel o cognome de ‘Libertador’. Foi ‘Libertador’ em 1823, aquando da ‘Vilafrancada’, ao restituir a seu pai as tradicionais prerrogativas que lhe haviam sido retiradas pela espúria Constituição de 1822; foi ‘Libertador’ em 1824, na ‘Abrilada’; foi ‘Libertador’ em 1828 ao reunir de novo os Três Estados. Foi o nosso último rei popular, como assinalou Oliveira Martins.
Tu preferes o Imperador brasileiro, o maçon do Rio… Fazes bem, que é o que manda a ditadura cultural de esquerda em que vivemos. Os outros são todos umas bestas; eles é que são iluminados…

- Mudança de assunto outra vez. O que dizer a uma mulher que considerou a hipótese de abortar?
O aborto é um crime hediondo. Todas as razões aduzidas pelos abortistas serviriam, nas calmas, para ‘abortar’ crianças até aos 18 anos... É que um miúdo de 15 anos também pode pôr em perigo a vida dos pais: há cada vez mais casos de parricídio...

- O Welfare State europeu é uma conquista ou um engulho? Os EUA são melhores?
Estou-me nas tintas para o ‘welfare state’. É uma invenção sueca que mistura capitalismo e socialismo, com uns laivos de corporativismo. Uma mixórdia intragável. Os Estados Unidos, esses, são mais ‘warfare state’, que é o nome do blogue (warfarestate.blogspot.com) do meu amigo Felipe Svaluto.

- Importas-te de responder!
O ‘welfare state’ não é conquista nenhuma! A minha posição é muito clara: nem liberalismo, nem socialismo.

- O que é que pensas do fim do serviço militar obrigatório?
É curioso verificar que o serviço militar obrigatório é contemporâneo do sufrágio universal. Quando a França ficou sem nobreza, decapitada em Paris ou afogada no Loire, o Estado viu-se obrigado a recrutar mancebos entre o povo. Autocrático ou democrático, o Estado moderno é uma construção intrinsecamente totalitária. Imiscui-se em todas as áreas, da educação à saúde, da Justiça às finanças, arroga-se o direito de legislar sobre tudo. É omnipresente, omnipotente e omnisciente. Falar em democracias e totalitarismos é uma grande balela. Todos os Estados modernos são totalitários.
De qualquer modo, e para não fugir à tua questão, sou contra o fim do serviço militar obrigatório. O que, no fundo, as bestas pretendem é extinguir as virtudes guerreiras e militares. Querem uma sociedade de homens mais ou menos amaricados que só assentem praça no Rossio para formar cordões humanos e só marchem pela paz...

- Devíamos poder escolher os nossos imigrantes, ou simplesmente proibi-los?
Somos vítimas de uma imigração desregrada, que é responsável entre outras coisas pelo aumento do desemprego e da criminalidade. Eu estou à vontade para dizer isto porque, sendo nacionalista, não posso ser acusado de ser xenófobo. Sou obrigado a respeitar as demais nações.

- A Internet é um espaço de liberdade, ou apenas a maior conquista da língua inglesa sobre todas as outras?
Se calhar, é as duas coisas: um instrumento, mais um, que impõe o Inglês como língua universal, mas também um imenso espaço de liberdade. Talvez o único. Se não fosse a Internet, metade dos assuntos de que já falámos aqui nunca viriam a ser grafados em corpo 12.

- ‘Sou casado, figura pública, mas vou às putas’. Isso deve sair no jornal, se os jornalistas souberem?
É um risco que corres, sobretudo se uma das putas for jornalista.

- Giro... E a resposta?
É evidente que não deve sair no jornal.

- Porque é que o Benfica é o maior clube português?
Isso é o que tu achas... A continuar assim, em dez anos será o terceiro – uma espécie de Belenenses do século XXI.

- Registo! Mais uma: a censura é inerente a qualquer regime político, ou é dispensável?
Nenhum regime a dispensa. Nesta mimosa democracia em que vivemos também há censura. E tu, por razões profissionais, sabes bem disso... Estes tipos devem estar fulos com a blogosfera.


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