segunda-feira, maio 31

Amigos para sempre


Em defesa da latinidade e da ibéria (para o meu amigo BOS).
(E se tu Concepció, e se tu Monserrat, e se tu Begoña me quisers ainda ver...)

'Catalunya triunfant,
tornerá ser rica e plena
un de beura questa gens
tan ufana e tan superba

Bon cop de falls
bon cop de falls
defensiores de la terra'

Os ucranianos

Vem na Visão. Ninguém sabe ao certo porquê. Mas os ucranianos, e até mesmo os moldavos, são melhores alunos a quase tudo, incluindo o português, que os portugueses. Será porque se esforçam mais? Será porque os pais (que trabalham de sol a sol) se esforçam mais? Será porque são melhores geneticamente/ culturalmente? Não sei. Mas sei (quase de certeza), que se tivesse de escolher emigrantes escolhia ucranianos. Porquê? Porque são parecidos connosco.

Num País que deixou de ter filhos (por razões várias, a menor das quais não é o dinheiro, depois que o euro nos fodeu a vida), os emigrantes são a nossa salvação. Assim nós os saibamos escolher.

domingo, maio 30

O Estarrecido espectador

(Ler como se estivessem a ouvir na rádio)

'Boa noite... mais um episódio de violência doméstica... Uma mulher de 45 anos, residente em Valongo, apresentou já esta noite queixa na polícia local... Desta vez o presumível crime foi cometido pelo próprio cônjuge... segundo o relato da vítima, o marido preparava-se para cometer violação sexual... a qual só não ocorreu devido à súbita falta de erecção do agressor... O alegado crime está a causar consternação na vizinhança... segundo testemunhos no local, o companheiro da alegada vítima era considerado uma pessoa normal, de hábitos pacatos'.

(fora o local, é tudo verdade, eu ouvi!!!)

Sveriges statsminister (ídolos XIII)


Per Albin Hansson. Primeiro-ministro sueco nos anos 30 e 40. Pôs a Suécia no mapa. 'Inventou' o welfare state.

Rock in rio (Tejo)


O concerto foi bom. O som estava uns furos acima da média merda a que é costume fornecer decibeis aos contribuintes metálicos (quero dizer, em moeda) dos espectáculos ao vivo. O Paul é simpático.

Imagino, olhando em volta, a quantidade de almas masculinas com cabelo branco, e femininas com pintura fresca, que foram para casa menos preocupadas com o futuro da empresa, o piercing na barriga das filhas, o lugar de estacionamento e a gravidez da criada.

É também para isto que se faz arte.

O Fazedor (ídolos XII)


As coisas nunca acontecem a um cavalheiro cego de Buenos Aires.

Pure sex (ídolos XI)


Mentira! Parece que, além disso, é inteligente! Estive com ela numa reencarnação anterior. Só isso pode explicar a minha 'atracção/à vontade' diante desta... desta... estou sem palavras. Divina!

sábado, maio 29

O salto (ídolos X)


Não era favorito. Não tinha treinador. Falhou os dois primeiros saltos. Saltou para um recorde de 23 anos. 8,90 metros.

O tenor (ídolos IX)


Um não mexe, devido à gordura. Outro é arrogante, e não gosta de espectáculo. O outro é menor actor. Este é que é esta.

Este Governo

É definitivo. Este Governo não presta. Não vou entrar em comparações, do tipo 'é o pior desde o 25 de Abril', ou 'desde D.Maria II que não se via coisa tão má', isto para só falar em alguns epítetos conhecidos. Não. Este Governo merece ser apreciado pelo que vale; e não vale nada.
Vamos por partes. Este Governo disse que ia fazer o que muitos tentarem e ninguém conseguiu: a reforma da Administração Pública. Ela aí está: mais uns milhares de funcionários públicos apenas em dois anos. Pelo meio, um director-geral dos Impostos nomeado por um dos maiores contribuintes do país (e que, mesmo assim, ainda faz muito 'planeamento fiscal', como agora se diz). Nem o Guterres, por interposto Coelho, conseguiu tanto em tão pouco tempo.
Este Governo ia atacar o despesismo, característico do Estado. Não conseguiu. O défice real, estirpado de verbas extraordinárias, andará pelos 5% ou mais. Já se venderam os anéis, agora vão começar a vender-se os dedos. Por exemplo as águas (esta fica para depois).
Este Governo não tem uma política de segurança social. Nem deu aos privados o que eles reclamam (seguros com plafonização dos descontos obrigatórios), nem melhorou a vida dos pobres (o salário mínimo está ao seu mais baixo valor, em termos de paridades de poder de compra, desde que foi instituido), nem salvaguardou as classes médias. A última pulhice é o ataque soez ao subsídio de doença: este só é pago (?) se a baixa chegar aos respectivos serviços cinco dias depois de ter sido passada pelo médico. Agora até já somos responsáveis pelos CTT. O resto é conhecido: ataques ao subsídio de desemprego, congelamento de salários, etc..
Este Governo não conseguiu diminuir a apetência autárquica e regional pelo subsídio e pelo favor. Resultado: como também não consegue cumprir a lei das Finanças Locais, as Câmaras estão ao seu nível de endividamento mais elevado de sempre.
Este Governo era (e acho que ainda é) adepto dos hospitais-empresa. Resultado: os cuidados médicos lá praticados são de baixa qualidade e os défices acumulados deixariam corado de vergonha qualquer gestor de hospital público.
Este Governo é, no mínimo, igual aos outros no compadrio. 1 - Em primeiro lugar, privatizações. Só como exemplo: a Portucel foi entregue à Semapa com a explicação (desculpa) de que era o único concorrente que não alterava a estratégia definida nos últimos anos pela equipa lá colocada pelo Governo (e que, honra lhe seja feita, fez um bom trabalho). A primeira coisa que a Semapa fez quando lá chegou (apesar de ser, ainda, um sócio minoritário) foi despedir o presidente do Conselho de Administração, e pôr lá um quadro seu de segunda linha, que já tinha tentado impor na Cimpor, sem efeito. Isto com a desculpa de que era 'um homem da casa', e que havia que dar-lhe um prémio pela lealdade de anos e anos. Eu sei o que digo! 2 - Em segundo lugar, concursos públicos. Quando o Governo tomou posse, o reconhecidamente impoluto Valente de Oliveira (terá outros 'defeitos', que para o caso não me interessam), anulou uma palhaçada feita à pressa pelos socialistas, cuja tinha como intuito meter algum ao bolso. O ministro contou para isso com parecer favorável da PGR. Resultado: dois anos depois, com o mesmo júri e outro ministro, os mesmos compadres anulados à primeira estão à frente do segundo concurso entretanto aberto. A merda é a mesma, as moscas é que são diferentes.
Este Governo era favorável à diminuição da carga fiscal. Conseguiu atingir o desiderato onde menos era necessário, ou seja, no IRC. Explicando: as empresas portuguesas pagam em média 13% de IRC (sobre os lucros), e o Governo resolveu baixar a taxa média para 25%. Lindo! Onde custa a (quase) todos, por exemplo o Imposto sobre Produtos Petrolíferos, aumentou-o para níveis a que os socialistas nunca se atreveram.
Este Governo ia obrigar as grandes superfícies e os centros comerciais a pagarem uma taxa sobre o metro quadrado de área útil. Não sei se era uma boa medida. Sei o resultado: o barulho feito pelos 'lobis' do costume baixou a taxa para valores ridículos.
Este Governo não peca apenas por acção. Peca também por omissão. Ainda não teve uma medida que se visse na área da educação, da cultura e da ciência. Ah!, minto: neste último caso, queria dar uns trocos aos crâneos estrangeiros que quisessem aplicar os seus dotes para cá de Badajoz. Foi a risota geral.
Este Governo não sabe o que há-de fazer com a política de transportes. A Carris não anda nem desanda, o défice da CP não é atacado, o metro de Coimbra tem no balanço de despesas apenas os ordenados do Conselho de Administração, o metro de Lisboa continua o decímetro que sempre foi, a TAP nem aliança nem desaliança, os portos de mar estão cada vez menos competitivos, e até o Túnel do Marquês (que é responsabilidade camarária de um vice-presidente do principal partido do Governo) está embargado, para permitir aos empreiteiros não pagarem multa por se terem atrasado na entrega da obra (ai não sabiam?).

E por aqui me fico.

BOS entrevista Clark59

E lá vai a segunda. Recordando os incautos, a semana passada eu entrevistei o BOS. Agora invertem-se os papéis.


Porque é que não gostas de ser apodado de esquerdista?
Essa é de resposta simples: porque não sou! Um esquerdista apoia revoltas sem pensar nas consequências. Eu não. Um esquerdista não toma banho. Eu tomo. Um esquerdista mete no mesmo saco todas as direitas. Eu não meto. Quem disse que eu era de esquerda foste tu! É óbvio que não tenho dúvidas de que, nos aspectos sociais, toda a história do século XX foi escrita pela esquerda. A direita, a esse propósito, é um zero, ou menos que isso. Mas já nas questões económicas sou um bocadinho mais céptico em relação às vantagens da ‘canhota’.

Estás a ver…!? É típico da esquerda dizer que a direita é um zero em matéria social. A verdade, porém, é que foram governos de direita quem no século XX ofereceu aos trabalhadores várias regalias importantes, como o direito a um mês de férias e a esquemas de segurança social. Para além disso, quem escreveu «Je suis économiquement de droite et socialement de gauche» foi o Le Pen. Folgo em saber que lhe lês os compêndios…
A direita que eu conheço, nos últimos tempos, diminuiu o subsídio de
desemprego, fez um ataque cerrado ao subsídio de doença, e prepara-se para fazer uma interpretação enviesada da lei que dá direito a 25 dias de férias. A direita que eu conheci, noutros tempos, tratava os funcionários públicos como escravos, não reconhecia o direito de voto às mulheres e proibia a greve e o associativismo não corporativo.
O Le Pen disse isso? Ele anda a ler o que eu escrevo...

Que balanço fazes dos 30 anos deste regime?
Nota 10, de zero a vinte. Fui favorável à descolonização (aliás, nunca lá devíamos ter posto os pés, mas isso é uma ideia complexa, que guardo para depois), mas o timing foi um desastre. Só os portugueses é que se lembravam de fazer uma revolução em plena recessão dos anos 70. Tivemos direito ao ‘dois-em-um’: mudança de paradigma político e descontinuidade económica, imposta pelo exterior. Uma salgalhada, em termos teóricos! Mas a democracia é preferível àquela ‘coisa’ anterior. Ainda bem que estamos de acordo, e que tu também não tens saudades do Oliveira de Santa Comba!... O melhor de tudo foi a adesão à CEE. Eu, neste particular, destaco as hipóteses de viajar mais facilmente por uma Europa mais moderna (que antes não tínhamos, ou tínhamos em menor grau) e o cosmopolitismo que daí adveio. Infelizmente, em vez de nos tornarmos ‘brancos’, tornámo-nos mais dependentes. Mas isso é culpa do Miguelismo ainda reinante (versão coçar os tomates em público). Mas já reparaste que há menos mânfios a escarrar na rua?

Escarrar está fora-de-moda; a malta agora gosta de mijar nos postes de electricidade – o que, para além de ser muito mais moderno, é muito mais democrático… Diz-me uma coisa: se eu fosse governo, emigravas?
Tu é que sabes! Explica-me lá como é que tratavas as pessoas como eu, se fosses governo?

Tratava-as bem – e tu sabes disso! Tenho-me batido contra todas as censuras e perseguições políticas, que nos dias de hoje vitimam sobretudo a minha gente. E tu, se fosses governo, qual era a primeira medida que tomavas?
A pergunta mais difícil. Em primeiro lugar, como já disse algures, mudava o Ministério da Educação de alto a baixo. Leis mais simples de mexer, como a do arrendamento urbano, eram mudadas. Os políticos passavam a ganhar decentemente (ganham uma merda). O Governo era eleito por sete anos, e os círculos eleitorais eram alargados. Se ao fim de sete anos houvesse um velho a morrer de fome, demitia-me.

Como as eleições europeias estão aí à porta, não resisto: que opinião tens sobre o federalismo?
‘Europa, Europa, que eu teimo em cantar-te versos!
Quem virá exorcizar-te a morte?...
Eu andarei repartindo ao mar fados e rosários de mel;
Prescruto as sereias que por ti virão assomar de amor
ao Cabo da Roca’

Quando é que publicas os teus poemas?
Já pensei nisso duas ou três vezes, mas por razões diferentes falhou. Como o Saramago ganhou o Prémio Nobel há pouco tempo, acho que vou esperar mais alguns anos...

Regresso à questão federalista: a Turquia deve entrar na União Europeia?
É um caso complicado. Não tenho nada contra os turcos modernos, mas não me esqueço da História. Acho que lhes cabe a eles demonstrarem que a pequena parte que geograficamente têm do lado de ‘cá’ conta mais do que o imenso território do lado de ‘lá’. E até hoje, fora Ataturk, não o têm conseguido.
Há ainda outro problema, de ordem pessoal. Eu ‘sou’ sérvio e arménio. Podem os turcos dar-se com gente como eu? Mas não devemos ostracizá-los. Esse seria o maior dos erros. O mesmo se aplica a Marrocos, e a outros países de maioria islâmica.

Se fosses impedido de residir em Portugal, em que país gostarias de viver?
Se eu fosse impedido de viver em Portugal, viveria de certeza muito mal. Que mal me perguntes, ‘a minha Pátria é o cozido à portuguesa’ (o verdadeiro ópio do povo). Por razões de coração, língua e gustativas, nunca me consegui afastar daqui mais de três semanas seguidas. Respondendo (porque sou mais disciplinado nas entrevistas do que tu…), talvez o Canadá, certo Brasil, e (adivinha!!!) a Suécia, de preferência a ilha de Gotland. E talvez a Espanha, porque fica aqui mais à mão.


No estatuto editorial do teu blogue, escreveste que “a coerência não passa de um vício a que não pretendo ceder”. Ainda há esperanças de que te convertas ao nacionalismo?
Vocês (da direita não democrática) apoderaram-se da expressão ‘nacionalismo’. Fica-vos bem. Mas ‘quem não vos conhecer que vos compre’… Fora isso, eu não tenho de me converter, porque já sou nacionalista.

Nem eu sou da direita não democrática, nem tu és nacionalista. Serás patriota, quando muito – um ‘enfant de la Patrie’, como reza a Marselhesa. O nacionalismo é uma ética para a qual cada nação, enquanto nação, constitui um valor supremo. Tu, que eu saiba, colocas o indivíduo acima de tudo.
Eu tenho uma Nação e uma noção sobre ela. As duas coisas não se excluem uma à outra. Ó jovem!, eu fiz o juramento de bandeira. Fala em defender a Nação, e acaba assim: ‘Mesmo com o sacrifício da própria vida’. Tu não tens para a troca!

Não digas asneiras! Estou disposto aos mesmos sacrifícios que tu. De resto, o que não falta por aí é quem tenha jurado bandeira, para depois… Adiante. Achas que este Portugal é um Estado viável?
Tem de ser! Por duas ou três razões essenciais: em primeiro lugar a língua. Nunca conheci Nação feliz que não pudesse exprimir-se no seu próprio idioma. Depois, a actual deslocalização de empresas faz perceber que mais vale um patrão presente que um patrão em Ostende. Falando mais a sério: estamos na época de estabelecer parcerias com quem nos interessa, não com quem nos é imposto. É isso a viabilidade do pós-império.

Há quatro ou cinco meses cultivavas certo cepticismo em relação à blogosfera. Já estás convencido das virtudes deste meio ‘umbiguista e livre’?
‘Mea culpa’ (em catolicismo moderno, com licença do JSarto). Isto é o
máximo!

Porque é que ‘linkas’ tantos blogues de mulheres?
‘Tantos’? Eu acho que ainda são poucos. O mundo sem mulheres não tem piada nenhuma. Nós homens, quando falamos uns com os outros, andamos sempre à volta dos mesmos temas. Quando entram mulheres (e então se tiverem dois dedos de testa, ainda melhor) a coisa muda indeclinavelmente. Não conheço nada mais perfeito do que uma mulher. Por falar nisso, já as leste? Todas cinco estrelas, digo eu.

Quais são os principais defeitos da mulher portuguesa?
Posso passar à frente? Ou fazes-me uma entrevista de doze páginas?

Reformulo a pergunta. Dizia o Almada Negreiros: «As mulheres portuguesas são a minha impotência». Assinas por baixo?
(Ainda) não. As mulheres portuguesas evoluíram muito desde esse tempo, e penso que só estavas a falar em questões físicas e sexuais. Principalmente nos últimos 20 anos, com um razoável atraso em relação às restantes europeias, mas o País é assim, não é culpa delas. Quanto ao principal defeito ‘são’ três: dificuldades de concentração em coisas simples normalmente efectuadas sem roupa, alargamento precoce ao nível do Equador e pêlos a mais em sítios dispensáveis.

E, já agora, as principais virtudes.
A principal virtude da mulher portuguesa chama-se F., e é a minha mulher.

Qual é a tua personagem histórica favorita?
Ó pá!... Português: D. João II, e o seu gene mais próximo, Henrique (o Navegador). Universal: Jesus Cristo, William Wallace, Guttenberg, Leonardo da Vinci, W. A. Mozart, Thomas Jefferson, Florence Nightingale, Frederico Fellini… e outros tantos.

Jesus Cristo e William Wallace…?! Caramba, menino, já puseste um ‘poster’ do Mel Gibson no quarto…?! E o teu herói de ficção? É mesmo o Clark Kent?
Não tinha pensado nessa do Mel Gibson, é uma coincidência, embora goste do actor. Não fui ver ‘A Paixão’, nem tenciono.
O Clark Kent é uma representação interessante. É o jornalista rápido,
incorruptível, apaixonado pela notícia. A minha fixação no Clark é a mesma (!) que sinto por S. João Baptista: aquele que vem antes do omnipresente.
Salvaguardadas as distâncias culturais, hás-de convir que se trata, no meu caso, de amor pelo terráqueo, em confronto com o sagrado. O homem em vez do mito. E isso, se calhar, é de esquerda.

Um hino aqui ao lado, num blog perto de si

Esperando que o tal Godot, ou isso, passe por aqui dentro em breve, fica o desejo expreso: que tal uma caixinha de comentários, ó amigo? Faz parte, digo eu.

PS. Enquanto não se resolve, cá vai: é uma coisa inaudita que os espanhóis não tenham letra para a 'Marcha Granadera', uma música linda de morrer, ideal para um hino austero e com pompa. Um povo com milhares de canções imorredoiras não teve talento, em quase trinta anos, para inventar uma letra de jeito?! Ainda bem que, por cá, 'A Portuguesa' já resistiu a quatro regimes (Monarquia, quando ainda não era hino oficial, 1ª República, Estado Novo e Democracia). E o primeiro tótó que me disser que quer mudar os 'contra os canhões', mando-o cantar 'eu quero um homem muito brasa' da Gabriela Schaff.

PS 2. Sabem qual é o único hino europeu que não tem uma letra belicista?... Sabem?... Têm três hipóteses!
1 - O francês.
2 - O português.
3 - O sueco.
Quem acertar ganha uma viagem a Estocolmo!!! (Den son, den himmel, dine engder grönne).

Para comentar

A pedido de várias famílias, aqui vai um post sem nada, só para que possam comentar textos que já não tinham espaço para 'faz favor de dizer'.
Agora não me deixem ficar mal.

... E BOS entrevista Clark59

Ao princípio da tarde de hoje, estreiam-se dois estagiários. O BOS faz a entrevista e eu sou o entrevistado. Como prometido na semana passada, este será o segundo round.

sexta-feira, maio 28

La Bohéme (ídolos VIII)


Arménio com fome de Europa. O maior bardo do século XX. 'Moi qui criais famine et toi qui posais nue'.

O Clark 59 errou

A toda a (pouca) blogosfera que me lê:

Este blog confundiu Luís Paulo Henriques com Paulo Rodrigues. O primeiro é um rapaz fundador do MAN e o segundo é o cabeça-de-lista possível do PNR. Não são (não podem ser) a mesma pessoa. Pelo facto (principalmente ao meu amigo BOS e ao Pedro Guedes, que muito prezo), as minhas desculpas.

Classe média



Portugal está cheio de gente profissionalmente desqualificada, que ganha rios de dinheiro a fugir aos impostos, e que não distingue Armani de cholé. O bando de iliteratos, videirinhos e piolhosos é tão próspero na República como nunca o pensou ser no tempo de el-Rei Pasmado ou no do Estado Noite. No resto, são iguais. Como iguais são os possidentes, sempre prontos a viver à gola do erário público, e dele maledizer quando lhes dá jeito. O Estado, esse, tem as costas largas e a bolsa curta. Mal chega esta, aliás, para dar de comer às sanguessugas, quanto mais para cumprir as funções que lhe são confiadas. O País não presta, nunca vai ser diferente, toda a gente sabe disto.

Por isso, não é do todo, mas de uma parte dele, que hoje aqui se fala.

Há algum tempo, amoedado com uma herança tristemente precoce, tentei dar-lhe ao menos vocação de alegria, entrando com uns milhares de contos para a compra de uma casa nova. Comprei já com as paredes levantadas, mas com muito acabamento em falta. 'Tudo bem', dizia o construtor, 'isto resolve-se em dois meses'. Nem de propósito, dois meses depois era Setembro, e eu - e muito mais a dona dos restantes 50% da sociedade - já me revia no prazer burguês de uma festa de rentrée dada aos amigos, coisa só mal-acomparável à boda que, anos antes, nos tinha unido por um tempo cósmico a tender para sempre.

Mas as aldrabices de um pé-de-gesso qualquer que sub-empreitava a função, mais os muitos afazeres do magno pato-bravo que liderava o evento, mais o desleixo do canalizador, a asneação de um técnico certificado para ligar o gás, e uma quantidade de etceteras adiante, deitou as coisas para meados de Novembro. Com um ultimato claríssimo, fiz saber ao chefe da pandilha que tinha mudança marcada para daí a uma semana. Ou isso, ou pagar o sinal em dobro, que é o que está na lei.

O homem já deve ter ouvido letra semelhante as vezes que baste para saber que esta rapaziada da classe média o que quer é conforto e a obra feita. Enquanto eles, depois do fio de ouro comprado, do curso ao filho mais velho se este tiver talento, de uma eira lá na terra e de um Mercedes a diesel, já não sabem em que feliciedade investir. Como o dinheiro lhes sobra, passam o tempo a divertir-se enganando os coitados que julgam que estas coisas dos prazos são para cumprir. Para eles, o tempo passa ao ritmo da letra no Montepio ou na Nova Rede, enquanto a matrona rançosa faz frioleira no lugar do morto.

Nestes entretantos, o abrantino disse que sim, que 'desculpasse o atraso, não foi de propósito'. Quero lá saber se foi de propósito!

Entrado na casa, estive sem dormir uns dois ou três dias, tal era o cheiro do soalho recentissimamente aposto, e ademais predicado com tinta protectora, ou coisa que o valha. Quando o aroma químico se tornou suportável, em breve vieram ao de cima as malformações da obra chã. Reclamação imediata, e 'calma, que isto resolve-se'. O homem das tábuas rasas tinha, ao que parece, trabalhado sob pressão, porque lhe tinham dado prazos para cumprir, que é coisa de que nenhum artista gosta, ande de pincel na mão ou a afagar de joelhos. Com o tempo, é claro, habituei-me às imperfeições da madeira. Sempre é melhor que ter de tirar tudo de casa outra vez, para que o recorrente profissional tente sanar a asneira.

Vista da casa anterior, esta parecia o Tejo em comparação com o rio da minha terra, e eu, nestas coisas, tenho tendência a preferir o Tejo. Por isso - coisa já pensada e devidamente provisionada -, lancei-me à tarefa de encher os espaços vazios com o que lá mais falta fazia. Um sofá novo, por exemplo. No que eu fui cair...

Recentemente apresentado aos prazeres caseiros, gastei algum tempo na escolha. Marcado o alvo - uma coisa carota, mas se calhar menos do que devia -, acertei contas com um rapaz de ofício de porta aberta e nome estrangeiro, daqueles que não sei se melhor faria Albuquerque em ter-lhes dado esposas ou açoites. Aquilo fica para ali no meio de uma versão nacional dos clusters porterianos, onde porta sim, porta não, é loja de móveis. Um mês, mês e meio, era o tempo que o terno demoraria a entrar-me pela porta, tanto mais que vinha de Espanha, e as peles, e sei lá mais o quê.

Dois meses depois do prazo acordado, e muitos telefonemas entre o nervoso e o ameaçador pelo meio, lá estava o sofá. Mal me sentei, a falta de molas do mesmo deu-me um estalo na alma que me levantei num segundo. 'Isto aqui não fica!', disse eu. Fica, fica, dizem os operários da entrega, isto nem sequer é nosso, só nos mandaram cá pô-lo, 'se não se importa assina aqui para comprovar o serviço'. 'Então eu assino, mas telefono já para o tipo que mo vendeu'. Contactado o cara de torresmo de Alicante, ele lá foi dizendo que, 'bom, estas coisas é raro terem defeito, tem a certeza de que?...'. Claro que tenho a certeza, porra! 'Então ´tá bem, vamos aí ver o que é que se passa'.

Algumas semanas depois, o tipo foi lá a casa. 'Ó diabo, isto tem mesmo defeito'. Pois tem, já lhe tinha dito. 'O melhor', reflectiu o bípede, 'é mandá-lo para a fábrica para compor'. E foi. Mais dois meses e o sucessor vinha pior do que a versão primogénita. Mas como à terceira é de vez, cinco meses depois lá estava em casa um novo. É o que ainda hoje lá jaz. Escorreito? Nem por perto, mas o suficiente para a mulher me ter pedido para não fazer mais ondas.

Chegou então a vez dos móveis. Os que tinha, ou eram desajustados no espaço, ou velhos. Ouvido o conselho de amigos já testados nestas coisas do matrimónio e casa posta, escolhi um fulano com sotaque à Porto, que até trabalha para gente fina, coisas de arte e cena, enfim... Fiquei com boa ideia do fenómeno, que não se enrascou sequer com um heterodoxo desenho que lhe mostrei, e que correspondia a um móvel grande de sala. 'Daqui a dois meses está pronto', diz o morcão. Fiz as contas: isto é homem do Norte, não é como aqueles calaceiros de Lisboa, no máximo demora mais quinze dias, vem mesmo a calhar para o aniversário cá do 'je'. (N.R.- princípio de Maio). Três meses depois, o madeireiro não tinha sequer olhado para o projecto, quanto mais começado a talhar as tábuas. E como a fábrica (?) fechava em Agosto, agora já não havia tempo, 'talvez lá para Setembro se arranje'. 'É muito trabalho sabe?'. Então para que é que aceitou a encomenda? (Que pergunta burra, o homenzeco era lá capaz de fazer previsões?). Há pouco tempo, despedi a bosta de carvalho e cerejeira aos berros, mas móveis é coisa que ainda não tenho.

Agora vou meter-me noutra. A floreira. Digna de jardim botânico, aquilo parece uma piscina de treinos. A mulher já anda estusiasmada, que é como eu gosto de a ver. A ver se não murcha.

Para a próxima conto-vos a história do reóstato que se queimou três vezes.


quinta-feira, maio 27

Ca(f)ca

'- Boa tarde, é da Direcção-Geral de Transportes Terrestres?
- É sim, fachavor?!
- É o seguinte: acabo de ver um carro de alta cilindrada com a matrícula '??-??-MD', datada de Agosto de 2000. Ora isto é impossível, porque...
- ... Peço desculpa por interromper, mas os nossos serviços encerram às 16h30, pelo que terá de ligar amanhã, a partir das 09h00.
- Ah, sim... Mas o problema é que o carro pode ser roubado, ou qualqur coisa no género, já que as matrículas acabadas em 'MD' são bastante anteriores, penso que de final de 1998 ou princípio de 1999. Não acha estranho? Eu só não liguei logo à Brigada de Trânsito porque pode haver uma explicação natural para isto, que eu desconheço, daí o telefonema para o vosso departamento.
- Certo. Mas efectivamente, como já tinha dito ao senhor, os nossos serviços encerram às 16h30. Lamento.
- Ok, desculpe a maçada!
- De nada, sempre às ordens.'

A Taça

Com o devido atraso (não era curial escrever mais do que 'parabéns', no auge da festa), aqui vai alguma coisa sobre a vitória do FC Porto:

1 - Meio FCP foi suficiente para arrasar um Mónaco que, sinceramente, não demonstrou ter cabedal para estas andanças. Entre oficiais do mesmo ofício, ficou provado que 'a antiguidade é um posto'.

2 - Ricardo Carvalho é o melhor defesa-central português dos últimos anos. O meu conterrâneo Fernando Couto ainda é capaz de ser titular no próximo Europeu. Mas já não será por mérito próprio, apenas por tradição.

3 - Um árbitro de que nunca gostei fez um trabalho razoável. Felizmente para o FCP, o fiscal-de-linha assinalou mal um fora-de-jogo a Morientes, nos primeiros minutos do jogo, após o qual o avançado espanhol do Mónaco ficava cara-a-cara com Baía. Um penalti perdoado ao Mónaco, quando o resultado já ia em 3-0, acabou por ser um erro irrelevante.

4 - A vitória do FCP premeia duas coisas: a organização empresarial e a capacidade de combate dos seus dirigentes. Estas duas favorecem uma terceira: a identifcação da massa adepta com as opções tomadas pelos líderes. É assim que se ganha, seja no desporto seja no que for.

5 - Por via do Campeonato Espanhhol, da final da Liga dos Campeões e da Taça de França, a selecção nacional de futebol só vai estar completa 10 dias antes do primeiro jogo.

6 - Vítor Baía não tem valor para ser o terceiro (?) guarda-redes da selecção nacional? Ora aí está uma história muito mal contada.

7 - José Mourinho tem duas qualidades que eu aprecio: é bom naquilo que faz e tem vaidade nisso. E tem outra coisa arrepiante: 'joga' de uma maneira super-eficaz com a situação. Ontem, no auge da glória, mostrou um desprendimento total em relação ao que se estava a passar. Assim como quem diz, 'para este peditório já dei'. Não era preciso tanta frieza.

E agora, sim, parabéns aos portistas! E ao futebol nacional, que assim conquista a sexta taça europeia da sua história. Só há cinco paísses que se podem gabar de ter feito igual ou melhor. Digam-me lá outra actividade em que a iniciativa privada portuguesa esteja tão alto no ranking?

quarta-feira, maio 26

La valse comme nous l'entend (ídolos VII)



Nas curvas de um Bugatti, a última volta de uma arte moderna

Lo que siento por ti (ídolos VI)


Pero si te diré
que io me enamoré
de tus guapos ojos,
de tus labios rojos,
que no olvidaré

Oié esta canción que leva
alma, corazón e vida
estas tres cositas, nada más te dó

Alma para conqistarte
corazón para quererte
E vida para vivirla junto a ti!

Assim a modos que foda-se

Tenho uma novidade para todos vós: ao contrário da maior parte dos ‘blogsters’, não estou a preparar um doutoramento. Mais: mesmo que estivesse, não ia deixar de escrever por isso. E mais ainda: em que rais parte é que eu ia doutorar-me?
O País, suponho eu, precisa de mim como de pão para a boca. Não vejo hipótese de Portugal sobreviver sem Clark. Por isso, não tenho tempo para uma cátedra. A vida é minha, a tese é deles.

Quando cátedra te apanha, quem mais de perto te sonha? Quando pé-descalço te acompanha, quem de mim – tese – tem lata? Quando, minha, Ácidos Ana, quem Causa Nossa tem tempo?

Por isso, não há doutoramento. Coisa tal que me eslovaca, de mim foge e eu a expulso. Por mim, só o fazer é concreto. Os outros, tenho-os bem cá por dentro, à espera de melhor Bemposta.

Este é meu

E eu que não tenho nenhum partido…

Nem um, p’rá amostra.
Ofereço ideias à porta
De cada um que me ouve,
Mas não, ninguém mas compra.
Ou pior, tomam-me conta delas e não
Me dão resposta

Entrego-as sem pedir contrato
Quero-as tão só delicadamente expostas
E bem tratadas
(Os que têm partido, bem que delas
Podiam tomar proveito)

Ou então deitá-las fora

Mas não, não encontrei partido para elas
Nem caixote do lixo onde coubessem,
Grandes demais para reciclagem
E pequenas que são para comércio

Ninguém as quer, mesmo os que não dizem
Mal delas

As minhas ideias não têm conhecimento de partido.
Pensam sozinhas, sem encontrar companheiras
Nem melhores são, nem piores por isso.



terça-feira, maio 25

A Mosca


Ele ainda lá está. Ele ainda não perdeu. A mosca persegue-o. Força mosca!



Ele á nossa razão para não ter esperança.



Ele desistiu de ser presidente dos EUA, porque acedita no sistema. Eu não acredito. Eu acreditava mais nele. É pena.


Recordações de agora mesmo


Foi há bocado. Por razões profissionais e, principalmente, por razões maritais, lá vesti o smoking uma vez mais, e fui ver a coisa em directo ao Coliseu. Isto de que falo, meus caros, está cada vez mais acanhado. Isto de que falo é Portugal, capital, classe ainda social, o que for. E nem por sombras me afasto do estilo que nos propõem, ou seja, não critico a forma, mas apenas o conteúdo da forma. A qual resulta, hoje por hoje, em menos vedetas e mais verdetes, menos pinta e mais tinta, menos brilharetes e mais joanetes.

Passando ao de leve pelos prémios, que é que o que menos me interessa, aqui vai: a coisa, tal como está, já deu o que tinha e o que não tinha. O Dr.Balsemão, que quer ficar na história, tem uma maneira ponderosa de apôr pontos a esse anseio, mediaticamente falando: venda aquilo a uma entidade independente - fica imorredoiro, como o gajo que teve a ideia, e desenlaça-se dela olimpicamente. Só lhe ficava bem. É que os 'Globos de Ouro' (que começou por ser apenas os prémios internos da SIC, há muitos anos), já não é só um programa da casa, mas ainda está longe (eu diria, cada vez mais longe, apesar do esforço), de ser um areópago nacional. Basta ver que, por razões conhecidas, a maior parte das vedetas da TVI nem sequer lá vai. A excepção, este ano, chamava-se Diogo Infante.

Da pinderiquice geral dos textos - a função começava com uma coisa de mau gosto e mal conseguida (são coisas diferentes, que neste caso se aduziram), relativas ao casamento dos príncipes-do-
-passado-fim-de-semana -, passou-se à relativa falta de ritmo do programa. Salvou-se a estrela do momento (Sílvia Alberto), que ainda tem muito que aprender, assim ela queira. O que eu duvido.

Mas o pior estava para vir, e isto é que a excelentíssima assistência nacional não viu; e, daí, o meu grande dever em dar-lhes disto conhecimento. É da feira das vaidades que vos falo, eu que já vi tantas, não me cabendo aqui, como atrás disse, criticar-lhe a forma, mas apenas o conteúdo da mesma.
Em primeiro lugar, o lugar da festa (tradicional e subsequente aos prémios, para quem não saiba). Calhou este ano à 'Kapital', a esteira mais estúpida onde se desbragam os pitos em ferida de Lisboa e arredores. A 'Kapital' passou à história no dia em que abriu, mas a maior parte dos palhaços de dentes brancos e as louras de fio dental nunca se aperceberam disso. Ao pé deste antro de pobreza musical, cheiro a penico e wisky marado, o Stones de outros tempos e, principalmente, o clube do Trigo à beira-mar plantado, são oásis de oxigénio e bom-senso cosmopolita. Eu vou, nesta última década, à 'Kapital' uma vez em cada (mais ou menos) três anos; para concluir que está igual à merda que sempre foi.

Lá dentro, a tradição não se impõe. Por exemplo, já não há a tentativa de comer as miúdas que ainda ninguém comeu, as difíceis, não sei se me entendem. Agora são sempre as mesmas a abrir as gâmbias em forma de sextante. As outras passeiam vestidos e adormecem vestidas. É a ideossincrasia do facilitimso em todo o seu esplendor. Se estes adolescentes não esgravatam por garotas, não me parece que estejam à altura de, posteriormente, se esmifrarem por empresas.
Pior que tudo, é ver os filhos do Santana Lopes do lado errado do balcão do primeiro andar. O pai, honra lhe seja feita, ficava sempre do lado do disk-jockey, onde o barulho é menor e dá para dar trela às gajas. Os filhos, agora, colocam-se à entrada da cagadeira. Os genes, meu amigo, os genes...

Há outra coisa aviltante. Dantes, havia as muito boas, as boas, as mais-ou-menos e as do Técnico. A igualitarização faz com que agora sejam todas 'mais-ou-menos'. Não se vê uma mulher feia, é terrível. Mas também não se vê nada do outro mundo. São todas assim por igual, com celulite nas coxas a partir dos 17 anos (ainda hei-de agradecer ao Dr.Salazar ter proibido a Coca-Cola), mamas 34-B, cabelo pintado, vestidos carotes e falta de jeito para saltos altos. A diferença morreu. Putas calibre 'apartamento na Lapa' já se confundem com pitas 'queca no banco de trás'.

Bons tempos em que eu vi a Teresa G. a espreitar à fechadura da casa-de-banho dos homens, a ver quem tinha predicado bastante para se lhe ajustar directamente ao complemento. Bons tempos em que a Manuela M. se vinha ao balcão, com a mão debaixo da saia, para pagar apostas perdidas. Bons tempos em que a Bárbara G. ensaiava um strip-tease, com a malta teen-ager já quase a sujar as calças. Bons tempos em que a Margarida M. dançava a noite toda em cima do sofá, que teve de ser reciclado, devido à falta de saladas na dieta da sujeita. Bons tempos em que o Francisco B. metia um relógio Gucci no decote da Maria J., como paga ou devoção sabe-se lá por que grande graça que ela lhe tinha concedido.
Bons tempos...

domingo, maio 23

O mais rápido (ídolos V)


Dizem os entendidos que não foi o melhor piloto de todos os tempos. Se calhar não foi. Mas Jackie Stewart foi o primeiro que me pôs a roer as unhas a ver corridas de Fórmula 1. Ainda hoje gosto. Pena é que já nãs as haja no Estoril, como também já não há 'o melhor rally do Mundo'. 'Para trás, como a burra do João Brás', e saudades ao César Torres, lá no céu dos amantes da velocidade e da perfeição mecânica.

O maior 'português' do século XX (ídolos IV)


Quando se entra na Gulbenkian parece que se chegou a outra dimensão

O melhor ministro das Finanças (ídolos III)



O senhor da retoma. Completo!

Obrigada, obrigada, obrigada...

Oh meus amigos! No mesmo dia, ultrapassei as 1.000 visitas (por um triz) e as 2.000 páginas vistas (largamente). É o que faz trazer estrelas a nossa casa: toda a gente nos quer visitar...

O homem mais bonito do mundo (ídolos II)


Embora eu deste assunto perceba um 'pouco' menos do que do anterior, não me esqueço de que a primeira vez que olhei para este gajo, disse: 'Foda-se, não me importava de ter este aspecto!' A minha mulher não está de acordo, nem quase nenhuma que eu conheça. Também só conheço 'cromas'...

A mulher mais bonita do mundo (ídolos I)


Contrariamente ao meu post de 29/04, nem 'todas' são feias. Esta é mesmo o máximo. Meu ídolo desde há muito tempo (temos quase a mesma idade), a menina em causa é também uma actriz de primeira. Inicio aqui um port-folio de figuras públicas de quem eu gosto. Que até nem são muitas.

Conversa de taxista

'Tá bem, tá. Então não querem ver que o gajo quer ser Presidente da República?! Havia de ser bonito. Havia uma emergência qualquer, uma guerra, ou o caralho, e iam buscá-lo adonde? Ao Kremlin, ou à Kapital, 'espera aí que eu já lá vou, estou só a acabar o copo e a marcar co as bacanas'. Tch... o gajo nem consegue fazer o túnel, até foi caçado fora-da-lei, e aquilo está tudo parado. Uma merda é o que isto é. Ainda ontem tive que levar duas injecções, por causa das dores na perna, e q'riam-me levar 25 euros!! Foda-se! Olha, tive que me aguentar, tomei um comprimido, e hoje de manhã fui ao Centro e só paguei dois euros. É a merda que isto está!'

sábado, maio 22

Clark59 entrevista BOS

Cá vai a entrevista, como prometido. Para o bem e para o mal, as 'escorreitas opiniões' do entrevistado (como dizia o seu amigo Rodrigo Emílio) ficam aqui bem escarrapachadas. Proposta musical: leitores de direita leiam-na tendo por fundo o 'Tannhauser' de Wagner; leitores de esquerda, o 'Requiem' de Mozart. São ambas óptimas.
A 'negro' as perguntas, como é da praxe.


- O maior erro de Salazar foi o condicionamento industrial?
Eu já sabia que o raio da conversa ia começar com o Salazar… É um dos tiques dos plumitivos modernos. Se entrevistam um nacionalista, a primeira pergunta versa invariavelmente sobre o Estado Novo: você é salazarista? Defende o Portugal do Minho a Timor? Quer pôr bombas? Vai matar pretos? Por isso, o que eu te vou dizer desiludirá profundamente a maior parte dos flibusteiros da informação, mas é a pura verdade: os nacionalistas estão-se a marimbar para Salazar e o Estado Novo, que de um modo geral repudiam. Os salazaristas, se os houve, dormem a sono solto no Alto de S. João e nos Prazeres...
Em relação à política de condicionamento, devo dizer-te que é uma velha pecha da governação à portuguesa: quando só existia lavoura, houve condicionamento agrário (e hoje ainda há, com as cotas...); depois houve condicionamento industrial; actualmente, com a revolução da distribuição, há condicionamento comercial: o governo licencia as chamadas grandes superfícies ao metro quadrado... Já não é preciso condicionamento industrial para nada: conheces algum pateta que queira abrir uma indústria?! Como diria o nosso amigo Buiça: fosga-se!

- Ainda bem que o António de Oliveira é história. Outra coisa: Nós nunca fomos um país de gente instruída... Verdade ou falso?
Somos um país de madraços e mendigos, como dizia o Vitorino Magalhães Godinho. Em vez de gente sábia, temos gente sabida. Por entre a elite, de quando em quando, avulta um tipo superior, mas o povinho – lavrador de enxada e tanoeiro de enxó – tem sido convenientemente mantido na boçalidade (eu ia dizer: na buiçalidade...) Eleitor burro vale por dois: vota e não reclama. Há dois modos de o fazer: ou por falta de informação, ou por excesso dela. Ambos têm resultados comprovados e garantia de oito anos, que é mais ou menos o tempo que o marmanjo aguenta à frente do governo, antes de ficar atolado em merda e corrupção.

- Há maneira de mudar isso?
É trabalho para cinquenta anos. É por isso que os tipos que nos governam não podem fazer nada: são avaliados em cada quadriénio… A educação é uma vergonha. É suposto que um miúdo com a 4.ª classe saiba ler, escrever e contar. É suposto…

- Porque é que temos grandes escritores, grandes pintores e não temos grandes músicos?
Tu sabes que eu não sou grande melómano. E tenho pena, acredita. O Marcos Portugal não foi um grande compositor?

- Razoável, digo eu. E o Carlos Paredes, o José Afonso, o Adriano Correia de Oliveira?...
O Carlos Paredes é um dos milagres da música portuguesa. O raio do comuna exala Portugal por todos os poros… Não gosto de José Afonso: as músicas são más, as letras são piores, a interpretação uma lástima… O Adriano, esse, sempre o considerei o menos mau dos cantores de intervenção.

- O que é que aconteceu à direita nacional para se tornar elegível: foi o efeito Le Pen?
Os nacionalistas elegem e são eleitos por essa Europa toda a cabo. Dispõem de representação parlamentar em França, Itália, Bélgica, Holanda, Suíça, Áustria – o que seria inimaginável há 10 ou 15 anos... O Le Pen desenvolveu desde os anos 70 um trabalho importantíssimo mas, hoje em dia, também beneficia desta vaga. Os nacionalistas apresentam hoje, a despeito de uma imprensa esquerdista que os insulta do piorio, um programa sério e equilibrado que será, mais tarde ou mais cedo, adoptado pela maioria dos países, sob pena de cada nação não subsistir sequer como noção.

- São só os esquerdistas? Eu julgava que quem vos odiava mais era a direita mais institucionalizada...
Essa também, mas a comunicação social está por conta da esquerda. Sofre de hemiplegia.

- Havia alguma hipótese de sair das colónias com boa-cara? Ou nunca devíamos ter saído? Como é que fazíamos?
Das colónias de férias...?

- Boa! Mas é mesmo de Angola, Moçambique e dos outros que eu estou a falar. O que seria para ti a ‘descolonização exemplar’, por exemplo?
Era impossível uma ‘descolonização exemplar’ num quadro de guerra. Chamar o processo descolonizador de ‘exemplar’ é abuso semântico... O que se fez foi entregar os territórios aos interessas das grandes potências: os Estados Unidos, ávidos das matérias-primas; a União Soviética, que queria implantar repúblicas socialistas; e o Vaticano, pois então, interessado em reaver os direitos de Padroado que havia concedido a Portugal em África e no Oriente. Reduziu-se Portugal a uma situação de Estado-exíguo, como afirmou o Prof. Adriano Moreira. Digo-te isto sem saudosismos… Aliás, nem sequer tenho idade para isso. Eu continuo a achar que a perda do Brasil constituiu na sua época um trauma muito maior. Se calhar estou enganado. Mas que fique claro, e podes escrever, que se tivesse 20 anos nos anos 60 teria combatido em África com todo o orgulho.

- Qual é o maior defeito da esquerda? (fora 'existir', claro está...)
A esquerda tenta servir-nos um ‘vademecum’ ressesso e bolorento. Os esquerdistas mais evoluídos são os que pararam em Woodstock: sonham com a Janis Joplin todas as noites (sobretudo os do Bloco, não sei se estás a ver: “Oh Lord, won’t you buy me a Mercedes Benz? My friends all drive Porsches...”); os outros são ainda mais atrasados... Tentam vender-nos o aborto livre, a liberalização das drogas e balelas análogas com a mesma convicção com que há trinta anos nos impingiam as nacionalizações selvagens e o socialismo soviético.
A esquerda lê por uma cartilha velha de duzentos anos. Acredita que o homem é naturalmente bom, é internacionalista, quer impor uma igualdade absurda. Não me refiro à igualdade perante a lei ou à igualdade de oportunidades, que ninguém discute, mas sim ao dogma da igualdade de capacidades inatas entre os homens, sem o qual a esquerda não sobrevive e todo o seu pensamento se desmorona como um castelo de cartas.
E depois é toda esta estética da fealdade, imposta pela ditadura cultural de esquerda, a deturpação dos valores, o ódio ao sagrado...

- Mas talvez te seja mais fácil acreditar numa esquerda de valores, não egoísta, que acredita que os homens, por não terem todos as mesmas oportunidades, devem ter um ‘escape’ de apoio...
Eu não consigo acreditar em nenhuma esquerda…

- Mudando de tema: a Idade Média foi mesmo a idade das trevas?
Para a ‘intelligentsia’ que por aí pulula, foi. Mas diz-me: achas que a catedral de Burgos e a Notre-Dame são filhas das trevas?

- Como é que um homem de direita entende a evolução? Transformação, revolução, perenidade?
Eu não sou conservador. Não tenho medo da transformação, nem de revoluções. O que eu repudio é o progressismo esquerdista que pretende derrubar todas as bases em que assenta a nossa civilização: acabar com as nações e destruir o próprio conceito de família. Não se trata de transformar nem de evoluir, mas de destruir tudo para se erguer de raiz um mundo e um homem novos. É a velha receita do Trotsky.

- Isso é uma velha farsa de direita: destruir a família! Não inventas nada de melhor para convencer os incautos?
Não é farsa nenhuma! Imagina um casalinho de homossexuais com três crianças em casa; é ou não a destruição da família tradicional?

- Mudemos de assunto: houve mulheres rainhas. Pode haver uma mulher presidente da República?
Se até o Jorge Sampaio desempenha as republicanas funções, não vejo por que uma mulher não o possa fazer... Aliás, este regime ostenta no currículo os três ou quatro piores chefes de Estado da nossa História.

-Incluindo o D. Pedro I (um rapaz que não tinha a noção de Estado), o D. João III (para mim o pior chefe de Estado português de sempre) e o D. Miguel (um caceteiro da pior espécie, que se tivesse sido rei mais tempo seria a prova provada de que não merecemos ser Nação)?
Pronto! Já cá faltava o D. Miguel… Como dizia o Prof. João Ameal, ninguém merece tanto como D. Miguel o cognome de ‘Libertador’. Foi ‘Libertador’ em 1823, aquando da ‘Vilafrancada’, ao restituir a seu pai as tradicionais prerrogativas que lhe haviam sido retiradas pela espúria Constituição de 1822; foi ‘Libertador’ em 1824, na ‘Abrilada’; foi ‘Libertador’ em 1828 ao reunir de novo os Três Estados. Foi o nosso último rei popular, como assinalou Oliveira Martins.
Tu preferes o Imperador brasileiro, o maçon do Rio… Fazes bem, que é o que manda a ditadura cultural de esquerda em que vivemos. Os outros são todos umas bestas; eles é que são iluminados…

- Mudança de assunto outra vez. O que dizer a uma mulher que considerou a hipótese de abortar?
O aborto é um crime hediondo. Todas as razões aduzidas pelos abortistas serviriam, nas calmas, para ‘abortar’ crianças até aos 18 anos... É que um miúdo de 15 anos também pode pôr em perigo a vida dos pais: há cada vez mais casos de parricídio...

- O Welfare State europeu é uma conquista ou um engulho? Os EUA são melhores?
Estou-me nas tintas para o ‘welfare state’. É uma invenção sueca que mistura capitalismo e socialismo, com uns laivos de corporativismo. Uma mixórdia intragável. Os Estados Unidos, esses, são mais ‘warfare state’, que é o nome do blogue (warfarestate.blogspot.com) do meu amigo Felipe Svaluto.

- Importas-te de responder!
O ‘welfare state’ não é conquista nenhuma! A minha posição é muito clara: nem liberalismo, nem socialismo.

- O que é que pensas do fim do serviço militar obrigatório?
É curioso verificar que o serviço militar obrigatório é contemporâneo do sufrágio universal. Quando a França ficou sem nobreza, decapitada em Paris ou afogada no Loire, o Estado viu-se obrigado a recrutar mancebos entre o povo. Autocrático ou democrático, o Estado moderno é uma construção intrinsecamente totalitária. Imiscui-se em todas as áreas, da educação à saúde, da Justiça às finanças, arroga-se o direito de legislar sobre tudo. É omnipresente, omnipotente e omnisciente. Falar em democracias e totalitarismos é uma grande balela. Todos os Estados modernos são totalitários.
De qualquer modo, e para não fugir à tua questão, sou contra o fim do serviço militar obrigatório. O que, no fundo, as bestas pretendem é extinguir as virtudes guerreiras e militares. Querem uma sociedade de homens mais ou menos amaricados que só assentem praça no Rossio para formar cordões humanos e só marchem pela paz...

- Devíamos poder escolher os nossos imigrantes, ou simplesmente proibi-los?
Somos vítimas de uma imigração desregrada, que é responsável entre outras coisas pelo aumento do desemprego e da criminalidade. Eu estou à vontade para dizer isto porque, sendo nacionalista, não posso ser acusado de ser xenófobo. Sou obrigado a respeitar as demais nações.

- A Internet é um espaço de liberdade, ou apenas a maior conquista da língua inglesa sobre todas as outras?
Se calhar, é as duas coisas: um instrumento, mais um, que impõe o Inglês como língua universal, mas também um imenso espaço de liberdade. Talvez o único. Se não fosse a Internet, metade dos assuntos de que já falámos aqui nunca viriam a ser grafados em corpo 12.

- ‘Sou casado, figura pública, mas vou às putas’. Isso deve sair no jornal, se os jornalistas souberem?
É um risco que corres, sobretudo se uma das putas for jornalista.

- Giro... E a resposta?
É evidente que não deve sair no jornal.

- Porque é que o Benfica é o maior clube português?
Isso é o que tu achas... A continuar assim, em dez anos será o terceiro – uma espécie de Belenenses do século XXI.

- Registo! Mais uma: a censura é inerente a qualquer regime político, ou é dispensável?
Nenhum regime a dispensa. Nesta mimosa democracia em que vivemos também há censura. E tu, por razões profissionais, sabes bem disso... Estes tipos devem estar fulos com a blogosfera.


Portuvesgas!

Vivo num bairro novo, daqueles fora de portas (mas nem tanto), a que os lisboetas se vêem constrangidos quando querem estabelecer metas de encanto para além dos 100 metros quadrados. É calmo, não está infra-estruturado, e o Metro (era só o que faltava) ainda não chega cá. Mas, esta noite, um malaguenho cantou à porta de uma vizinha minha. Por paixão deve ter sido.
A resposta? Igual à de quantas mulhres portuguesas conheci menos a minha: nenhuma.
Estúpidas! (Ao menos podiam mandar-lhes um balde de água)

A entrevista do ano

Numa talvez não inédita, mas creio que pouco usual, colaboração blogosférica, sai hoje pela tardinha uma entrevista de Clark a BOS. Para breve, a entrevista de BOS a Clark. Amigos, amigos, ideias à parte. E amigos mesmo depois disso.

PS. Publicação, em seguida, de uma das ideias que mais nos aproxima


sexta-feira, maio 21

Dizem que dos três foi o menos mau

Se eu fosse espanhol (mas não sou), o mais provável era admirar este fulano, que nasceu faz hoje 477 anos. O que admiro, isso sim, é este poema de António Gedeão, intitulado "Poema do Fecho Éclair".


Filipe II
tinha um colar de oiro
tinha um colar de oiro
com pedras rubis.
Cingia a cintura
com cinto de coiro,
com fivela de oiro,
olho de perdiz

Comia num prato
de prata lavrada
girafa trufada,
rissóis de serpente.
O copo era um gomo
que em flor desabrocha,
de cristal de rocha
do mais transparente.

Andava nas salas
forradas de Arrás,
com panos por cima,
pela frente e por trás.
Tapetes flamengos,
combates de galos,
alões e podengos,
falcões e cavalos.

Dormia na cama
de prata maciça
com dossel de lhama
de franja roliça.
Na mesa do canto
vermelho damasco
a tíbia de um santo
guardada num frasco.

Foi dono da terra,
foi senhor do mundo,
nada lhe faltava,
Filipe Segundo.
Tinha oiro e prata,
pedras nunca vistas,
safira, topázios,
rubis, ametistas.

Tinha tudo, tudo
sem peso nem conta,
bragas de veludo,
peliças de lontra.
Um homem tão grande
tem tudo o que quer.
O que ele não tinha
era um fecho éclair.

Finalmente, o monhé passou cá por casa!!




quinta-feira, maio 20

Nem Super Homem nem D.Sebastião, o que nós precisamos mesmo é do...


...o intrépido ás dos céus da Europa, herói português com sabor a scotch, que sozinho ganhou a guerra a uns amigos de uns amigos meus...

Que saudades do "Falcão"! Há por aí alguém com mais de 40 anos?

Mau exemplo

O economista Paul Krugman avisa: o nosso principal factor de competitividade (os salários baixos) está ameaçado pelo alargamento da União Europeia. Como já se sabia, há uns mortos-de-fome no eixo ex-comunista que ainda ganha pior que os portugueses. Nada de novo.
Acontece, no entanto, que há qulquer coisa que, se não é nova, está mal analisada. É que, se nos arriscamos a chegar à média europeia de salários lá para o ano 2234 (mais coisa menos coisa), há gente por cá que já há anos atingiu a convergência. Quem? Os gestores de topo, que são, a par dos políticos, os principais responsáveis pela 'vil tristeza' da economia nacional, e consequentes repercussões no bolso dos cidadãos. Com uma diferença: os políticos portugueses ganham efectivamente pouco e os gestores ganham mais, em média, do que holandeses e suecos, por exemplo. Por mau exemplo, queria eu dizer!!

Eu dou-vos o Portugal positivo! (com um cacete pelos cornos abaixo)!

Estes testemunhos foram ouvidos de viva voz pelo postante, no decurso da sua actividade profissional ou no da sua vida privada:

1- «Fome» urbana

"Fui para casa a pé, não tinha dinheiro para o transporte"
A.M., Março de 2004

"Está-se-me a acabar o subsídio de desemprego, agora vou trabalhar de escrava"
C.B. Abril de 2004

"Pus o suicídio de parte, talvez vá roubar"
A.F. Maio de 2004

2- «Fome» rural

"O fogo queimou-nos tudo, agora vivemos de amigos"
H.M, Setembro de 2003

"O seguro ganhou em tribunal, não me paga a colheita perdida"
J.S., Outubro de 2003

3- «Fome» de justiça

"O Supremo deu razão ao patrão, tenho 50 anos, nunca mais vou ter trabalho"
J.F, Fevereiro de 2004

"Eles fugiram com as máquinas, eu juro que tínhamos encomendas, mas agora espera-me o desemprego"
D.N, Abril de 2004


Portugal positivo

Uns quantos aderentes do PSD, mais uns bem-instalados na vida de próximas proveniências, aduzidos por meia-dúzia de almas caridosas, resolveram comemorar uma coisa inenarrável chamada 'Portugal positivo'. Belíssima ideia nos dias que correm! Isto ocorre num País em que a classe dominante (ou elites, chamam-lhe como quiserem), em mais de oito séculos, não conseguiu (às vezes) ou não quis (as mais das vezes) matar a fome aos seus súbditos, quanto mais instruí-los para que se desemerdassem sozinhos. Ver esta estirpe de tótós querer explicar, aos milhões de mortos de fome e de desesperados existentes na Lusa Pátria, que o 'Jardim à Beira Mar Plantado' é supra, não é ridículo, é ofensivo! O País dos piores gestores da Europa, que sucederam à nobreza mais analfabeta e feia, pontuada pelos políticos pulguentos que se sabe, querem que o povo se considere 'pobrete mas alegrete'. E, se calhar, que se reveja no prémio que deram à Agustina (brrr!), comentado em directo pela TV pela Inês Pedrosa (brrr!)
Vão à merda!

terça-feira, maio 18

Na dúvida, tira o preto


É claro que eu não sei se Luís Felipe Scolari partilha da fama que os gaúchos têm de serem racistas. Agora a sério: o Boa-Morte é o único esquerdino da selacção nacional que consegue fazer a ala toda e ainda possui características de avançado que os outros dois canhotos seleccioandos (Nuno Valente e Rui Jorge) não têm. Em vez dele, que participou em quase todos os jogos de preparação, escolheu um monte de médios-centro que não poderão (nem por soombras) jogar todos. Entre estes, avulta um (Tiago) que está
em mais que manifesta má-forma, supondo-se que terá mesmo que fazer uma paragem prolongada. Qual é a vantagem de meter o Tiago e tirar o Boa-Morte? Para além da injustiça, não percebo a táctica.

Esta é a história do meu Pai, funcionário público e tudo!

O meu Pai ficou órfão aos 13 anos. Vendeu o que o meu avô lhe deixou, para não morrer de fome, que nesse tempo a segurança social era ainda pior que hoje. Feito o liceu, foi-se ao emprego, afastada que estava a hipótese da advocacia. Calhou-lhe as Finanças, nesse tempo em que Salazar quis dar a volta ao País, criando, entre outras instituições, uma que ao fisco desse crédito e força para construir a sério um Estado que há séculos andava à mercê de marqueses, barões e vilões. Chamava-se, e chama-se, Inspecção-Geral de Finanças. É, ainda hoje, uma das mais prestigiadas instituições públicas, chamada cada vez mais para trabalhos em que a corrupção não dá jeito.

O meu Pai, chegado lá, rapidamente se convenceu de que nunca quereria ser outra coisa. Ser funcionário público - numa época em que a remuneração era uma anedota - foi para ele uma ideia de serviço. Sempre o vi desdenhar de cunhas, vomitar corruptos, cortar com videirinhos. Porquê? Porque assim é que está certo.

Num País onde ser funcionário público passou a ser sinónimo de calaceirice, não contem comigo para deitar achas à fogueira. Eu teria adorado sê-lo. Mas nesta bimbocracia à beira-mar plantada a ideia é cada vez mais nefasta. E eu não tenho a coragem do meu Pai.

Eles são seis!

Confirma-nos o Diário Económico, pela pena da jovem Raquel Martins, que o número de funcionários excedentários na Funcão Pública atinge a astronómica soma de 6 (seis). Não vamos aqui falar das expectativas que o Governo criou sobre este assunto, amplamente divulgadas há meses atrás; agora, a secretária de Estado da tutela vem dizer que nunca disse que seriam muitos. Mas sabe-se que essa era a ideia. O que aconteceu foi uma (ou ambas) de duas coisas:

1 - Os funcionários públicos que o Governo colocou no quadro de excedentes conseguiram adaptar-se (são portugueses) às novas vicissitudes, e admitiram colocação noutro posto que não o seu original.

2 - A montanha pariu um rato, e este Governo tem tanta coragem como os anteriores (incluindo aquele famoso Executivo de D.Maria II) em mudar o que quer que seja na Administração Pública.

Não admitindo divórcios na nacionalidade, eu sou por Portugal, para o bem e para o mal. Já me ia dando jeito era menos porrada e mais prazer...

segunda-feira, maio 17

E depois ainda se admiram que haja quem diga mal dos intelectuais

Há coisas que, se não vistas, não se acredita. Um blog que não está linkado neste, passou parte da sua juventude (dois ou três dias) a perceber se se dizia olimpianismo, ou olimpismo, ou olimpiano, ou olímpico, ou o raio que o parta. Recebeu buéréré de respostas, que o sujeito em causa é de estarrecer de mediático. Chegou a uma conclusão, a qual me estou bem borrifando qual seja. Mas chegou. Supremo orgasmo, o da vitória sobre a incompletude. Após semelhante devir (é mesmo assim, para se 'vir' precisa da ajuda de um 'de'), perorou sobre o Benfica, não sem antes ir ao astrólogo. Segundo o santarrão da Marmeleira, as buzinadelas dos apoiantes da maior instituição viva de Portugal 'dava um haikai'. Dá vontade, mas não lha cedo, de o mandar transformar-se num bonsai. Um haikai? (Poema japonês muito em voga na Idade Média, sem qualquer pensamento ou emoção'). É como ele gosta do 'de vir'. Sem emoção, sem pensamento. Estou-me a (não) vir!

Ora atão lá vai*

Andam umas tias catitas
De volta deste bloguear
Blogam, blogam, as malditas
Sem que eu as possa caçar

Umas semblam de Euronext
Outras de passo furtivo
Outras blogam de rompante
Como amante fugitivo

Parte delas, que é bastante,
Zomba do Tejo festivo
O Douro, que é ouro delas,
Bem mal se encaixa comigo

Pouco dadas a querelas
(Mas mui ditosas de estilo)
Já não me enxergo sem elas
Neste blog que vos digo


* o monhé que me fornece flores, filho da mãe, hoje não passou cá por casa.


Gotland (a terra de Deus)

Quem passeia por este blog sabe o que eu penso da Suécia (sim, 'tá bem, e das suecas também), mas isto é inultrapassável

Ela acha (ela sabe) que Maomé se diverte com ela


Esta mulher é muçulmana. Escolheu para profissão ser actriz cómica. Esta mulher, de nome Shazia Mirza, enfrentou coisas complicadas. Para muitos dos que leram (mal) o livro que ela considera sagrado, ela não devia nem sequer saír à rua sozinha, quanto mais estar em cima de um palco a contar anedotas. Esta mulher foi-me dada a conhecer pelo jornalista norte-americano Ed Bradley, no programa '60 minutos'. Esta mulher conta piadas divinais e arrisca a vida a qualquer momento.
Decorei uma, nem sequer é das melhores: 'Um dia entrei num avião com o shaddar (véu) posto. Uma mulher branca não se quis sentar ao pé de mim. Eu disse-lhe: - Olhe, eu sou muçulmana e vou mandar o avião pelos ares. Acha que ficar três filas atrás de mim lhe vai valer alguma coisa?'

Shazia Mirza deu-me esperança num mundo melhor. De vez em quando acontece.

Silêncio



Não fomos comemorar ao Estádio porque não cabia lá mais ninguém senão ele. Paz à sua alma!

PS. - Desagradecem-se comentários que não falem do Bruno. O resto, se o houver, fica para depois.

domingo, maio 16

BENFICAAAAAAAAAA!!

E o sonho concretizou-se! Obrigado Jorge Costa, ganda benfiquista, nunca me enganaste!

I have a dream



é hoje!!!

Este é meu

Eu tenho a luz aqui, ao pé de mim
memorando eterno do azul do tempo

Luz da água, som do Sol,
percurso couraçado de almas
com árvores frondosas por moldura

Eu tenho a força do cimento destas pontes
onde se passa a passo ou sem demora

Marca de aço, procura de farol,
som de ex-mágoa onde não me canso
das suaves chaves da candura

Eu tenho a memória e o traço original
da primeira aurora que me cura

Sorvo de maresia clara ou escura
principal desejo de uma história por contar
ainda que me falte o braço

Eu tenho por sinal uma montanha
onde o lápis da cidade não fez traço.

Mais um do Jorge

'Carta a meus filhos sobre os Fzuilamentos de Goya' (título original da pintura:'Três de Maio') é um dos mais fantásticos poemas de um dos maiores poetas do século XX.



Não seu, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vasso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto
o que vos interesse para viver. Tudo é possível,
ainda quando lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça
ou mais que qualquer delas uma fiel
dedicação à honra de estar vivo.
Um dia sabereis que mais que a humanidade
não tem conta o número dos que pensaram assim,
amaram o seu semelhante no que ele tinha de único
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente à secular justiça,
para que os liquiddasse «com suma piedade e sem efusão de sangue».
Por serem fiéis a um Deus, a um pensamento,
a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas
à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados tão anonimamnete quianto haviam vivido,
ou as suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras
por serem de uma classe, expiaram todos
os erros que não tinham cometido ou que não tinham consciência
de haver cometido. Mas também aconteceu
e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,
aniquilando mansamente, delicadamente,
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de umm pintor chamado Goya.

Esta Europa

A Ucrânia ganhou o Festival Eurovisão da Canção. Países como a Macedónia, a Bósnia Herzegovina, a Sérvia Montenegro, Malta e Letónia ficaram à frente da Áustria, da França, da Grã-Bretanha e da Noruega. Portugal, Dinamarca, Finlândia, Itália e Irlanda nem sequer conseguiram ficar nos 24 primeiros. Ainda hesitei em falar disto. Mas, como me parece que a metáfora ultrapassa o acontecimento, lá vai.
Este concurso musical já foi importante no Velho Continente, quando as editoras discográficas tinham poucos meios para transmitir a pop, e os compositores poucas oportunidades de se mostrarem. Agora a coisa tornou-se pouco menos que insuportável. A canção vencedora, por exemplo, é um insulto auditivo. Mas como as bandeiras nacionais ainda por lá campeiam, é difícil a este que aqui escreve ficar indiferente.
Dito isto, confesso que acertei em TODAS as atribuições de pontuações máximas. Era sempre de um jogo geo-político que se tratava. O tempo em que a Espanha dava 5 pontos a Portugal (e nós fazíamos outro tanto), já era. Agora o descaramento ultrapassou os limites. A Sérvia dá à Croácia, que por sua vez não esquece a Macedónia. A Letónia prefere a Suécia. E a Ucrânia, a Rússia e a Moldávia trocam mimos. A diáfana Holanda, por sua vez (numa demonstração inequívoca da decadência luterana e ocidental), prefere a Turquia.
Não é importante? Eu acho que é. Quando se fala de deslocalização é também disto que se trata. O ‘Ocidente’, pelo menos aquele que me é mais próximo, desvinculou-se destes fenómenos de massas, desemprestando-lhe a qualidade que era suposto ter mais que outros. E deixou o regabofe do favorecimento ao vizinho ir por mãos nunca antes navegadas.

PS. – O mesmo se passa nos concursos de misses. Há quanto tempo não ganha um sueca, uma norueguesa, uma italiana ou uma francesa. Ele é indianas, venezuelanas, russas... o que é que nos aconteceu, velhos países? Será que a estabilidade mata o engenho e a força de mandar?
O mundo muda. E eu ainda por cá.


sábado, maio 15

O Teste

Anda para aí um teste na Internet engraçado. Vejam lá os resultados que me deu.
Eu 'sou' este filme clássico



Depois há o teste 'eu sou este líder mundial'. Deu-me o Saddam Hussein. Não gostei. Mudei ligeiramente quatro ou cinco respostas e olhem o que obtive.



Não há dúvida que o teste está muito bem feito!!

sexta-feira, maio 14

Primeira mão

Numa iniciativa conjunta e inédita, o Diário de Notícias, o Público, A Bola, o Jogo e a SIC Notícias (a Sport TV foi convidada mas não aceitou) preparam-se para entrevistar, por ocasião da final da Liga dos Campeões, vários adeptos do Mónaco e do FC Porto. Foram convidados, e o claquequente está em condições de afirmar que já aceitaram, o 'Medalhas', o Reinaldo Teles e o Emplastro (pelo Porto) e Alberto Grimaldi, Stephanie Grimaldi e Carolina de Hannôver (pelo Mónaco). Os directores dos citados meios de comunicação têm efectuado várias reuniões com os convidados no sentido de estabelecer um padrão de comunicação entre espécies tão diversas. Foram contratadoscomo assessores, entre outros, a Dra. Edite Estrela, o Dr. Vasco Graça Moura e o Dr. Eduardo Prado Coelho. Os advisers da comitiva monegasca são ainda desconhecidos. O programa televisivo não deverá passar em prime-time, por razões de decoro.

quinta-feira, maio 13

A verdadeira história (2ª edição)

Clark Kent,
do Daily Planet
A vida num teclado
a mil batidas por minuto
Nervos de aço sem mostrar
cansaço,
sempre ao serviço da verdade
Visão laser
para melhor te ver,
pecado, crime e opressão,
notícias da cidade grande
Coração por Lois e coração
por todos repartido
Metropolis em destroços
e ele é um jacto que descola
Muda o fato
tira os óculos
capa ao vento
põe Lex Luthor em sentido
Se kriptonite deixar
ele regressa
O tempo que passou entretanto
não conta
Clark Kent está de volta
põe os óculos
cumprimenta
segue rápido para outra
Verifica: Lois Lane ainda lá está
desconfiada como sempre
Suspira, Clark Kent
super-herói
disfarçado de homem invisível


Esquerda, direita, testosterona, casmurrice e (apesar de tudo) alguma esperança

Não há blog que se preze que não tenha, nos últimos dias, focado o tema das sevícias provocadas por militares estrangeiros a alguns prisioneiros resultantes da actual intervenção no Iraque. A questão ocupou mesmo alguns dos nossos principais cabeças-de-
alfinete, gente encartada em opinar (ou cagar postas de pescada). A este propósito, querendo cerrar fileiras, alguns mostram o que a Al-Qaeda fez aos reféns ocidentais, outros lembram o relatório sobre alegadas e quejandas práticas no PREC, outros ainda aproveitam a maré para desancar no Durão e na sua persistência em manter uns quantos GNR a ganhar ajudas de custo em cu-de-judas, algures entre-tigre-e-eufrates. O sectarismo com que a maior parte dos bloguistas afronta a questão é mais terrível (porque persistente) que a tortura.

Seguindo a lógica de que 'as tuas sevícias são piores que as minhas', os bloguistas servem-me, a mim, para me incentivar falta de fé nos seres humanos. E para constatar, pela enésima vez, que o chimbalau entre pessoas responsáveis de esquerda e de direita só serve para diminuir o acervo de ideias válidas que ambas as posições têm, secularmente, trazido à condição humana.

Sejamos claros: Os Estados Unidos da América do Norte são o país mais feito de contrastes de que há memória. Uma das maiores obras de extermínio da história foi perpretada pelos seus habitantes brancos. São esses mesmos EUA que deram ao mundo muitas das maiores conquistas civilizacionais da nossa era (quer em termos científicos quer culturais). Perorar sobre os 'yankies' sem ver as duas (ou mais) faces da moeda é estultícia.
Por outro lado: As empresas de prisões privadas, uma das quais foi contratada para assegurar a 'logística' no Iraque, são a invenção mais porca da ideologia neo-liberal. Há coisas que só o Estado democrático pode fazer, porque está sujeito a escrutíneo, como sejam o velar pela segurança dos seus cidadãos, quer eles usufruam de todos os direitos, quer estejam, por ordem judicial, privados de parte deles. Nem quero pensar o que passa pela cabeça de torcionários endógenos e hormonais para que se tornem empresários de cadeias, com toda a lógica de corte de custos e eficiência na prossecução do escopo industrial que lhe subjaz.
Outra ideia: Ninguém que se arroga de cada um dos lados do jogo-da-corda da ideologia está livre de que lhe vão ao sótão encontrar cadáveres. Por isso, condenar à-vez-à-vez seria, sem dúvida, a melhor das soluções. Sem remoques, com veemência, não tentando encontrar gradações de estupidez, mas sempre com enfoque na defesa da vítima. Parece-me bem.

PS - Não há nada que me dê mais calma do que 'O Nascimento de Vénus' de Botticelli.


quarta-feira, maio 12

Primeira forma

Em relação ao post anterior: parece que é treta, o fulano já desmentiu. Falta ver o que faz o Expresso...

Alerta

No Expreso 'online' (thanks M.)

Alegando tendência para difamação
Autoridade quer acabar «blogs»


A Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) pretende acabar com os chamados «blogs», páginas de opinião muito em voga na Internet, alegando que estes sítios são frequentemente utlizados para difamação, afirmou ao EXPRESSO Online Pedro Amorim, especialista em direito para as novas tecnologias da informação.

O jurista falava à saída do seminário «Ciberlaw'2004», organizado pelo Centro Atlântico, que decorreu na terça-feira no Centro Cultural de Belém

«Os blogs estão cada vez mais a ter uma relação com o jornalismo, e prevê-se uma grande tendência para a difamação. O objectivo da ANACOM é acabar com a criação de "blogs" e espero que seja cumprido», disse Pedro Amorim.

Quando questionado acerca dos problemas que marcam a sociedade de informação, Pedro Amorim aponta os direitos de autor como um dos mais preocupantes - «será sempre um dos problemas do mundo digital. Mas isto leva também à tendência da segurança 'versus' liberdade de expressão, que vai ainda pôr em causa este último princípio».

A protecção dos consumidores é outra das preocupações, uma vez que eles «são os mais lesados, por exemplo, numa venda on-line. O consumidor é sempre a parte fraca».

«Devia haver apenas uma entidade para a defesa dos consumidores, contrariamente às "n" que existem», salientou. Pedro Amorim esteve presente no Seminário «Ciberlaw'2004», organizado pelo Centro Atlântico, que decorreu no Centro Cultural de Belém.


12:47 12 Maio 2004

P.S. - O gajo deve estar mas é bêbado! (Ou será que há um fundo de verdade nisto?! Vou averiguar ainda hoje)

terça-feira, maio 11

A teoria da educação

Nada me faz mais confusão, nesta terra que habito, que a maneira como sempre foi tratado entre nós o problema da educação e instrução. As teorias autoritárias, liberais ou outras, cumprem no seu género e tempo sucessivos falhanços em relação ao propósito a que se deveriam dedicar, qual seja pôr esta gente a entender, criticar, escolher e empreender a vida que leva, através de sucessivas leituras e interacções com as múltiplas mensagens do Mundo complexo em que nos inserimos (mais coisa menos coisa é isto). Já disse, noutro local e ocorrência, que no Ministério da Educação eu desconfio até dos móveis, pelo que se um dia tivesse a gostosa (não, não seria penosa) missão de o chefiar atirava tudo pela janela, e fazia readmissões à porta. Não há escória mais tangível neste País adiado que a que se senta à mesa da Educação. Até porque, creio, a maior parte dos sujeitos que decide sobre tão importante e conformador acto de sociedade como é morfologizar a teoria e prática do processo educativo, parece ter boas intenções. Das quais, segundo se sabe, está o Inferno cheio. Deixo aqui meia dúzia de ideias sobre o que está mal e, se calhar, que caminho a seguir:

1 - Os maus tratos a que tem sido sujeita, ao longo dos tempos, a ginástica da memória, faz da maioria dos nossos jovens uns indivíduos sem músculo histórico. A infância escolar é a idade em que a acumulação é mais fácil e mais necessária. Contrariar isto é idiota. E sejamos claros: não há melhor forma dos governos tiranizarem o povo do que retirar-lhes a memória.
2 - A subjectividade cronológica com que a maioria dos programas de ciências humanas é leccionado implica para o jovem estudante uma descontextualização que em nada beneficia a aprendizagem. Encaixa coisas avulsas, que só fariam sentido num devir histórico, e que assim não sendo apenas emperram o conhecimento.
3 - A excessiva igualitarização dos campos de conhecimento a partir da adolescência cria uma plêiade de iguais num mundo com necessidade de a prioris diferenciados. Neste campo, e numa sociedade que já não se rege exclusivamente pela estratificação social e económica, não se percebe como não existe ainda, em larga escala, o ensino técnico e tecnológico, predisposto a criar uma classe média de "saber fazer", que é tão importante e complementar a essa outra óptica do "saber conceber".
4 - O paulatino processo de destruição do ensino público é uma ideia perversa para a força do Estado e nada traz de novo e de relevante. Não são conhecidos cérebros importantes da nossa História recente que tenham preferido os Salesianos ao D.João de Castro, ou o Colégio dos Carvalhos ao Alexandre Herculano. No meu tempo, os colégios eram para cábulas ou para ricos. Agora, qualquer chefe de restaurante de duas estrelas mete os filhos na privada, privando-se, ao mesmo tempo, de passar quinze dias de férias na Costa da Caparica com a sua senhora. Não pode ser.
5 - A feminilização da docência é um processo de risco incontornável, que nas últimas décadas tem vindo a aumentar. Privados da visão masculina do Mundo, por falta de mestres com barba, os alunos têm tendência a ver a existência de modo parcial. A vida é feita de mulheres e de homens - e ainda bem. Há teorias sobre as razões por que os homens se afastaram do ensino. Se calhar, pagar melhor aos professores era um caminho a seguir.
6 - Sou dos que pensam que a liberdade não faz nenhum sentido se não se perceber para que é que serve. Até para que se possa distinguir da libertinagem, a qual estou longe de diabolizar. Mas não é a mesma coisa. A adolescência é um espaço vital para perceber que cagar na sala de aula e cuspir nos professores não é a forma mais distinta de afirmação de personalidade. E a noção de que certos actos podem ser puníveis é necessária, e não é, em si mesma, coarctadora da liberdade. Pode até determinar algum germinar de astúcia para fugir a essa mesma punição. O que, convenhamos, não medra quando a punição no horizonte ou não existe ou é despicienda.

Por agora é tudo.

segunda-feira, maio 10


Nesta altura da vida, só me sai um poema

Um dia, meu amor, quando me cansar
de seguir este rasto vago, estarei contigo,
e da nossa porta veremos florir sonhos comuns
que serão vulgares e nossos.
Encherei o peito só da felicidade fidelíssima
e o teu amor, frágil suporte de mulher,
estará sempre ali, tão permanente...

Um dia, quando me cansar da dúvida
e me bastar toda a inconclusão
poderei sentir-te perto, presente, minha...
Quando aceitar que adormeça
esta diferença infeliz, tortura das noites e vácuo dos dias
que faço de conta que passo contigo,
baterei à tua porta, onde quer que estejas
para bebermos juntos sonhos brancos,
para me rir das anedotas que ainda me não contaste
e levar-te a ti e aos miúdos ao cinema

Um dia, quando adornar de ti apenas
todas estas paixões pelos outros
por todos os que aqueço, me aquecem,
por todos os que sofro ou mesmo pelos que não suporto,
o que é apenas uma maneira mais louca de lhes perseguir o amor,
nesse dia - então - pintarei a nossa casa
e adormecerei nos teus braços tantas vezes
quase quantas farei amor contigo

Um dia, nesse dia ansiado e temido
em que eu mudar, sem tortura
amar o dia em que vivo, tiver culpa e me desculpar,
errar e for humilde, e for até melhor que os outros
sem eles se esforçarem nada por isso.
Um dia, assim, quando já nada me protelar o descanso
deste jardim e varanda,
nesse dia, amor, terei tempo de ser feliz
e juro que serei feliz contigo.

Abajo España!

Estou, confesso, em estado de choque. Eu até gostava deles, principalmente desde que eles engoliram o Antão de Almada, p'ra aí há uma meia dúzia de anos. Tinham aquela pinta de civilizados sem prestarem indecorosa vassalagem à modernidade e ao politicamente correcto. Eram valentes. Eram artistas. Eram simpáticos. Eram profissionais. Eram alegres. Eram gajas boas. Sabem que mais? Já eram!
Não faço a mínima ideia o que aconteceu em Espanha nos últimos anos. É a recessão? É o Aznar (foda-se!!!)? É a capitulação do desejo? É a europeização de avalanche, no mais escondido dos seus icebergues??
A verdade é que a impressão de viagem mais forte que trago deste país imenso é a de um retocesso de trinta anos. Voltaram a ser ciganos em vez de bons comerciantes; mal encarados em vez de sérios; arrotos em vez de nobres; pintadas em vez de guapas.
O que é que se passa? Até as ruivas de Granada já não são deveras.....

Voltei

Devo ser conservador ou burro (se calhar é a mesma coisa). Dez dias fora e é isto: quando volto, o blogger está diferente. Por que raio há-de estar diferente? Não estava bem antes? Porquê mudar uma coisa inconsistente quando há tantas coisas mal por esse mundo fora? Não há pachorra!
Cito de cor o que li de positivo nas últimas horas: as touradas do Nova Frente (como é que se linka?, já me esqueci); o apelo ao Banco Alimentar Contra a Fome, do Último Reduto (viva a Isabel Jonet!); a ideia que o LBonifacio transmitiu sobre a rádio espanhola (e havias de ver a televisão, é de estarrecer).
Cito de cor o que li de negativo: uns pamonhas de que já esqueci o nome que andam a cagar blogs de gente que tenta ser honesta e inteligente, concorde-se ou não com eles; os parabéns a um gajo de que não consigo esquecer o nome, por ter cumprido um ano em que faz de conta que é inteligente num sítio diferente daqueles onde já fazia a mesma coisa de outra maneira.

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