segunda-feira, abril 12
A luz que vem da água
Quando se chega à capital do país mais civilizado do Mundo, é díficil acreditar que algures naquelas ilhas fronteiras ao palácio onde se entregam os Nobel ainda havia antropófagos há pouco mais de cem anos. A história do desenvolvimento sueco no século XX é de uma simplicidade arrepiante, e no entanto eficaz. Só dá vontade de perguntar: porque é que não é assim em todo o lado?
A minha paixão pela Suécia vem do tempo em que tentava imitar o som das falas da Pipi das Meias Altas. Aquela língua esquisita e cantante fascinou os meus oito anos de idade, e continuou adolescência fora quando às vezes fechava os olhos para «ouvir» os filmes de Bergman. Ou quando fui ver Por quem os Sinos Dobram, e me apercebi que a espanholita republicana era uma actriz sueca, que se chamava Ingrid. A paixão tem muito disto: é como se adorássemos as escadas que levam ao apartamento da amada. Eu com a Suécia sou assim.
E agora Estocolmo. Nunca lá estive no Verão e tenho pena. Não passa do próximo, se o orçamento deixar. Mas se não conheço a luz que me dizem vir das almas numa qualquer noite de Junho, lembro , luz que vem da água ao pôr-do-sol de um dia de Inverno. Não é possível estar em Estocolmo sem estar de bem como uma água que faz o mlagre de ficar tépida durante boa parte do ano. E que, já agora, é preciso que se saiba, é limpa. E indústria ao redor não falta. Como é que eles fazem? É simples, eles são suecos e nós não.
Na cidade, lembro-me de um bar lindíssimo, a preços aceitáveis e com encerramento a horas decentes (saí de lá uma vez às cinco da manhã), chamado Tre Renmare. Lembro-me de um restaurante em Gamla Stan (assim chamam à cidade velha), onde pontifica um jovem reformador da cozinha tradicional sueca. «Pontus in the Green House» é o nome na porta. Lembro-
-me de um passeio ao nascer do Sol (por volta das dez da manhã) no parque de Djurgarden , com mil verdes e castanhos e umas almôndegas pela hora de almoço que não tinham nada que ver com a minha experiência anterior no assunto. Lembro-me do Vasamuseet, onde repousa o maior navio do século XVIII, depois de ter passado 250 anos debaixo de água; viveu apenas um minuto à tona de um sonho de um rei absoluto.
E lembro-me da Helena. «Sabes porque é que as pessoas na Suécia já não se suicidam tanto? É porque passámos a beber menos vodka e mais vinho tinto».
Brindo a isso! Também, desde que não lhe apague o azul dos olhos, que importa?
A minha paixão pela Suécia vem do tempo em que tentava imitar o som das falas da Pipi das Meias Altas. Aquela língua esquisita e cantante fascinou os meus oito anos de idade, e continuou adolescência fora quando às vezes fechava os olhos para «ouvir» os filmes de Bergman. Ou quando fui ver Por quem os Sinos Dobram, e me apercebi que a espanholita republicana era uma actriz sueca, que se chamava Ingrid. A paixão tem muito disto: é como se adorássemos as escadas que levam ao apartamento da amada. Eu com a Suécia sou assim.
E agora Estocolmo. Nunca lá estive no Verão e tenho pena. Não passa do próximo, se o orçamento deixar. Mas se não conheço a luz que me dizem vir das almas numa qualquer noite de Junho, lembro , luz que vem da água ao pôr-do-sol de um dia de Inverno. Não é possível estar em Estocolmo sem estar de bem como uma água que faz o mlagre de ficar tépida durante boa parte do ano. E que, já agora, é preciso que se saiba, é limpa. E indústria ao redor não falta. Como é que eles fazem? É simples, eles são suecos e nós não.
Na cidade, lembro-me de um bar lindíssimo, a preços aceitáveis e com encerramento a horas decentes (saí de lá uma vez às cinco da manhã), chamado Tre Renmare. Lembro-me de um restaurante em Gamla Stan (assim chamam à cidade velha), onde pontifica um jovem reformador da cozinha tradicional sueca. «Pontus in the Green House» é o nome na porta. Lembro-
-me de um passeio ao nascer do Sol (por volta das dez da manhã) no parque de Djurgarden , com mil verdes e castanhos e umas almôndegas pela hora de almoço que não tinham nada que ver com a minha experiência anterior no assunto. Lembro-me do Vasamuseet, onde repousa o maior navio do século XVIII, depois de ter passado 250 anos debaixo de água; viveu apenas um minuto à tona de um sonho de um rei absoluto.
E lembro-me da Helena. «Sabes porque é que as pessoas na Suécia já não se suicidam tanto? É porque passámos a beber menos vodka e mais vinho tinto».
Brindo a isso! Também, desde que não lhe apague o azul dos olhos, que importa?