quinta-feira, julho 6

Por que não vamos à final



Do que vi (e já vi outra vez) alinhei três razões para a selecção nacional não ter ganho à França.

1 - Deco vs. Zidane. O médio criativo da equipa nacional não existiu. O médio criativo da França jogou a bom nível.

2 - 'Meio' penalty. Thierry Henry foi inteligente ao ter procurado o mais possível o pé de Ricardo Carvalho, que já estava no chão quando se deu o contacto.

3 - A lesão de Miguel. Parece sina o que se passa com os defesas-direitos nos jogos decisivos com a França. Em 1984 Veloso lesionou-se, teve que ser substituido, e quando Jaime Pacheco - que tinha secado Platini durante 100 minutos - deu o berro já tínhamos esgotado as substituições. O decisivo jogador do Portugal-França de 2000 dá pelo nome de Abel Xavier e era.. defesa direito. Ontem, quando era preciso pôr no campo (por exemplo) Nuno Gomes, tal já não era possível, porque se tinha queimado uma substuição na lesão do lateral direito Miguel.

segunda-feira, julho 3

O primeiro

Segundo, terceiro, quarto.
Décimo quarto, quadragésimo, centésimo trigésimo oitavo.
Sei o que quer dizer tudo isso, passei por lá. Lugar primeiro conto-o um par de vezes na vida e lembro o que então senti.

Ficar em primeiro é diferente. Do segundo ao último vai o mesmo quilómetro que separa 'vices' de campeões. O vencedor tem a graça, o segundo é o primeiro da desgraça.

A raça humana inventou o desporto para que as verdades absolutas não doessem tanto. No desporto é tudo ou nada, na vida nem sempre é assim. É também por isso que Kevin Keagan, um grande médio de ataque inglês dos anos 70, disse um dia o que sentia quando estava - digamos assim - no emprego: "Ninguém como nós tem 70 mil pessoas a aplaudir quando está a trabalhar bem".

Fiquei, como disse, poucas vezes em primeiro. Mas não esqueço.

Sofro de xôvinofobia

Já não bastava os italianos irem à final como ainda temos de defrontar os pascácios sub-saharianos a modos que armados em franceses.

Confesso. Sou xôvinofobista desde pequenino. Ou seja, não gosto de franceses, sejam eles as senhoras de Rennes mal depiladas, sejam os cromos marselheses de arroto fácil. O país (com letra pequena) que pior uso dá na Europa ao sabonete não me conquista em nada. Não gosto de Paris, cidadezinha porca onde um alemão construiu um torre à beira da gente mais bera que conheci no Planeta. Não gosto de Bordéus, terra onde se diz que há vinho - e eu vinho nunca vi melhor que o do Redondo ou de Murça. Não gosto de San Jean de Luz, onde o queijo fede e a muralha etarra tem acolhimento. Não gosto da comida nem dos bistrots armados ao fino que não são. Mas acima de tudo não gosto do cheiro a merda que perpassa o país inteiro.

Um dia caí na asneira de comer uma francesa. Foi o mais perto que estive do esquentamento em toda a minha vida. Era porca. Chamava-se Françoise (e é a primeira vez em 47 anos de vida que revelo um acontecimento extra-matrimonial). Xô com elas. A gaja queria ser papada num comboio, nunca vi coisa assim, ainda tive tempo e mérito de a levar para uma pensão da Almirante Reis. A racha da monstruosidade feminina 'tri color' adorou. Uma queca de que não me orgulho.

Os franceses que, sem razão, nos estragaram o País (com letra grande) no princípio do século XIX são umas bestas. Eu, que sou ferozmente contrário à emigração e ao colonialissmo, quero que os franceses se percam.

Portugal vai ganhar. Não porque mereça. Mas porque é necessário à Humanidade que esses mercenários entrem no capítulo do esquecimento.

sábado, julho 1

Simão

Sobre ti, Simão,
Erguerei a bola que sobra à esquerda deste campo
O drible penso, quando num momento
Cansas o vão defesa que de ti se acerca

O tempo é quase agora
E então (porque é a hora)
Sentes que a verdade dessa bola vai ao centro
E o chuto te contempla

Olhas, preparas
acreditas numa causa nossa
O drible não compensa se a bola nos outros não der mossa
Vai de cabeça erguida aos pés que te acrescentam

E faz um golo

Daqui a nada

Pelos campos do mundo senha e signo
ele não desiste e nunca se repete
E em cada rua é um menino
de camisola número sete

Pelos campos do mundo seu nome é quem nos diz
ele corre e finta e dribla
e com seus pés
pelos campos do mundo escreve o seu destino.
Por isso diz-se Figo e é um país
com ele o sonho é português.

(Manuel, poeta, jogador de futebol)

quarta-feira, junho 28

Um gentleman no país dos hooligans



No meio da algazarra mediática que os bretões engatilharam contra a selecção lusa, este senhor veio dizer o que importa: 'Claro que Portugal é uma equipa com fair play. Estive cinco anos em Portugal, conheço muitos jogadores, muita gente, é um país que adora futebol'.

É sueco e adepto do Benfica

Utopia ou benfeitoria

Nasci filho de funcionário público, belenense não registado, ele próprio entrançado à nascença de Pai maçon e Mãe legionária. A criação fê-lo distante das contendas e o mais longe possível das militâncias. A ele lhe devo, em grande parte, nunca ter conseguido ser deste ou daquele, e mesmo benfiquista apercebido por dote não me apraz a incondicionalidade. Sou de ninguém e quem é por mim sabe disso. Leio, registo, observo e às vezes acompanho. Mas nunca vou por aí.

Tenho da história da Pátria o meu próprio entendimento. De lhe ter fugido quis. Não fui. Problema meu.

Agora, no alter-ego dos anos que já vivi, sinto-a no bolso e no assentimento como se de uma companheira feiosa mas compincha se tratasse. Já não vale a pena o divórcio, já é tarde. Tenho que a aturar para o resto da vida. Mesmo se a vizinhança é a mesma de sempre, foleira, e o mal-estar combina com uma enorme necessidade de passar a fronteira.

O meu Pai escarneava dos emigrantes, exaltando aqueles que nos anos 30 quiseram ficar por aqui. Servidor do Estado que era então nascente, o homem em causa acreditou na hipótese lusitana. Acabou no dia em que o Delgado era amarelo e o Tomás era branco. Depois fez-me, e pensou, erradamente, que os filhos podem redimir os pais.

E esta é a vontade que eu tenho de fazer, fazer, fazer.

Bem feito.

terça-feira, junho 27

As duas Espanhas... ou o 'dois em um'

Do lado de lá da fronteira acho que a esta hora está toda a gente de acordo. Uns dirão 'Arriba España', outros 'No pasarán'. Mas a verdade é que desejam a mesma coisa

E a verdade é que eu estou com eles. Com quais? Ora, com eles.

segunda-feira, junho 26

Ucrânia

Parabéns Ucrânia! Em Portugal, hoje à noite, os melhores imigrantes de que há memória por estes lados vão estar felizes.

Os 'nestlés-relojoeiros' foram para casa. O futebol, meus toinos, não é como na vida: a previsibilidade vale menos que a fantasia. Pena é não terem levado os 'spaghetis' convosco.

Não se pode ter tudo.

À italiana

Um penalti inventado, já em tempo de descontos, foi o suficiente para pôr a Itália nos quartos-de-final do 'Mundial FIFA 2006'

Estes gajos são um perigo: da última vez que me recordo de um escândalo da dimensão do actual ter assolado o futebol italiano eles a seguir foram campeões do mundo. Isto em 1982. No Campeonato da Europa de 1968 apuraram-se para a final (em casa)por moeda ao ar, uma coisa inaudita mas em voga na época. No Campeonato do Mundo de 1938 ganharam 4-2 à Hungria na final porque o guarda-redes magiar levou à letra o telegrama que Mussolini mandou aos seus jogadores aconselhando-os a 'vincere o morire'. O tal de Szabo era uma boa alma e tinha dificuldades de interpretação de slogans fascistas pelo que deixou entrar um bom par de frangos. No campeonato do Mundo de 1934 conseguiram a proeza de nomear o mesmo árbitro para o jogo da meia-final e da final, nas quais participaram.

Safa!!

Analiticamente

1 - O senhor Ivanov, com a prestimosa colaboração dos jogadores da terceira e da sétima melhores selecções do Planeta - ver ranking da FIF(i)A - estabeleceu ontem um novo recorde global: nunca, num jogo de Campeonato do Mundo, tinham sido mostrados tantos cartões amarelos e vermelhos. No final do jogo, numa inaudita declaração, o chefe da matilha (um tal de Blatter) cascou no homem. Eu, francamente, poucos erros lhe vi. Talvez a expulsão do Deco seja exagerada, mas fora isso o gajo viu tudo. Aos holandeses sarrafeiros e aos portugueses espertalhões só lhes podia acontecer o que aconteceu.

2 - A F. é testemunha. Mal o Costinha levou o primeiro amarelo fartei-me de berrar com o Scolari para que tirase o rapaz e metesse o Petit, mas apesar de ter voz grossa os meus gritos ainda não chegam de Algés a Nuremberga. Passados minutos foi o que se viu. A visão do Scolari, como treinador de campo, continua a bom nível... Nossa Senhora do Caravaggio lhe valha e a nós também.

3 - Sem Deco, vai ser o bom e o bonito para derrotar os ingleses. Mas é possível.

sexta-feira, junho 23

Fiquei na mesma

Um camarada de profissão, que nunca janta sozinho às quartas e que é pouco entendido em bola, desabafou ainda há pouco: 'Eu hoje sou a favor dos pretos'. Pronunciava-se o 'sapiens cinefilus' sobre o jogo de futebol entre a França e o Togo........

quarta-feira, junho 21

Serviços mínimos

Ganhámos. Não jogámos um cu. Tivémos sorte. O México esteve meia-hora a jogar com dez. A continuar assim domingo é fim-de-festa. É pena.

Scolari esteve igual a si próprio. Não faz a mínima ideia do que é liderar uma equipa em campo. Dizem que é o rei do balneário. Pois então não devia sair de lá.

Argentina ou Holanda? Prefiro a Argentina.

segunda-feira, junho 19

A final que eu não posso ganhar

Duas das cidaddes mais corruptas, bimbas e desinteressantes dos Estados Unidos têm neste momento as respectivas equipas profissionais a disputar a final do campeonato norte-americano de basquetebol, o mais importante do mundo. Se eu tivesse que escolher 50 cidades estado-unidenses para visitar, de certeza que Miami e Dallas não estariam entre as minhas preferidas. Ninguém com um mínimo de decência, sentido da virtude e entendimento estético pensaria alguma vez pôr o pé em semelhantes espeluncas.

Pergunto-me: que é feito de Boston, Nova York, Filadélfia, Chicago, Detroit, Seattle, Sacramento, Phoenix, Utah e todas as outras equipas de terras onde há gente (quase) normal? Porque raio de merda tem que ser Dallas e Miami a disputar a final do meu jogo favorito, o único que alguma vez, enquanto desportista, pratiquei com algum brilho?

Deve ser culpa do Bush, que é texano e que recolheu votos em barda dos merdosos floridinos. Só pode.

domingo, junho 18

Admirável Mundo novo

Eu não tenho nenhum problema com os erros dos árbitros. Acontece, é humano. Já me chateia mais quando os gajos roubam descaradamente. Não tenho, aliás, nenhuma dúvida de que metade dos que escolhem profissão de juíz, seja num tribunal ou num campo de futebol, sente sede de justiça, enquanto a outra metade quer é sentir uma estranha e perversa volúpia de discricionaridade. Juízes que não prestam e que deviam estar atrás das grades há, aliás, mais no foro cível e criminal do que à beira da relva. Adiante.

Mas o que é absolutamente inadmissível - e aqui me trás - é a censura que a FIFA está a fazer dos lances polémicos. Não é novidade, mas a coisa está a piorar neste Mundial. Repetições televisivas são praticamente proibidas, a não ser que a decisão do árbitro se demonstre correcta a posteriori. O despudor máximo ocorreu ainda há pouco, quando a França marcou um golo limpo à Coreia que o árbitro não viu, acreditando que a defesa 'a la Baía' - ou seja, já dentro da baliza - era válida. A censura atingiu foros de crime.

O que é pior é que quem está por dentro disto sabe a 'razão' aduzida pelo bando de malfeitores que comanda a FIFA para não dar as imagens a que temos direito: é para não acirrar os ânimos dos adeptos. Ó meus, o que vocês ainda vão conseguir é que os adeptos como eu deixem de ver futebol e se passem de armas e bagagens para o râguebi, por exemplo, onde o árbitro explica 'urbi et orbi' a decisão que tomou.

Quando se começa a esconder a verdade com medo do povo o fim está próximo.

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